Esquecida por Bolsonaro nas eleições municipais de 2020, Juiz de Fora, chamada pelo ex-Presidente em muitas ocasiões de “minha segunda cidade”, enfrenta dificuldades em organizar um cenário político que possibilite a retirada da prefeita petista, Margarida Salomão, do palco administrativo da cidade.

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Na maior página de notícias espontâneas da cidade, Juiz de Fora da Depressão, foi publicado que uma caravana de militantes do ex-presidente se organizava para sair rumo à Copacabana, no Rio de Janeiro, para participarem de mais um da sequência de atos sem propósito prático em “apoio a Jair Bolsonaro”, para além de oferecer palanque aos candidatos do pleito de 2024 para os candidatos do PL no último domingo.

Juiz de Fora passa por um momento de crise econômica sem precedentes, com uma administração que omite dados públicos e apaga registros de condenações de membros dos gabinetes da gestão petista. Para além disso, a Câmara Municipal se encontra apática às verdadeiras dores dos cidadãos, que já começam a sentir no bolso os impactos de um orçamento estourado e reajustado em 13% para o Executivo, além de mais 4 novas cadeiras para o Legislativo.

Os grupos de ações políticas da cidade continuam ainda divididos entre os pequenos e numerosos núcleos de ações coletivas da esquerda e as massas que se desintegram aos poucos do bolsonarismo que, em 2024, resolve fazer o que não fez em 2020, e aponta Charlles Evangelista, ex-deputado federal desafeto de Bolsonaro como a opção do PL para a prefeitura.

Charlles e Bolsonaro se distanciaram ao longo dos últimos anos por conflitos quando ambos estavam no PL. Logo no início da administração do ex-presidente, Charlles se juntou ao grupo que viajou para China, tentou tomar à frente das ações do PSL na Câmara Federal, desagradando os filhos de Bolsonaro. Além disso, o ex-deputado federal, de acordo com o discurso à época, “traiu Bolsonaro” ao se juntar a Bivar, no racha do partido, que acabou culminando na saída de Bolsonaro do PL e na elevação de Charlles à Presidência do partido em Juiz de Fora, tendo o controle político partidário de toda a Zona da Mata mineira.

Para o presente momento, Charlles Evangelista reaparece em moldes bolsonaristas como personagem de desenhos infantis, cumprindo o protocolo dos apoiadores tidos como “leais”, vestido de verde e amarelo, chamando Bolsonaro de Capitão e contando que o juiz-forano seja mesmo um recorte geral do povo brasileiro e tenha memória curta ou alguma. Além disso, que o “ódio” ao PT seja maior do que a “decepção com Bolsonaro”. Algo que, em 2022, se mostrou completamente contrário, uma vez que o petista e ex-presidiário, Luiz Inácio Lula da Silva, derrotou Bolsonaro na disputa pela presidência.

Diante da incapacidade de novos grupos políticos se articularem, com ataques de todos os lados, tanto de petistas quanto de bolsonaristas, a disputa eleitoral de Juiz de Fora parece garantir, num primeiro momento, uma reprise de 2020 e a continuação do pesadelo que o Brasil vivencia por dois anos e o juiz-forano por seis.

Pois tanto quanto enojados com a metodologia petista de governar, parte do eleitorado da cidade já está fatigada das distopias e comportamentos quase que circenses daqueles que ainda insistem em apoiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, como é possível perceber pelos comentários na postagem do Juiz de Fora da Depressão.

Se Charlles Evangelista está contando com o voto da “caravana” que saiu de Juiz de Fora rumo à Copacabana, melhor revisar a estratégia. Bolsonaro, que ganhou em 2018 na cidade, perdeu em 2022, não conseguiu com seu apelo fazer encher três ônibus de sua “segunda cidade” rumo à praia, que esperava os manifestantes após o ato político.

Fonte:
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