O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viu sua popularidade derreter nos últimos meses, conforme indicado por pelo menos três pesquisas divulgadas no início de março. Uma pesquisa do instituto de pesquisa Quaest, liderado pelo professor da UFMG, Felipe Nunes, revelou que a popularidade do presidente caiu de 54% para 51%, acima da margem de erro de 2,2%. Segundo essa pesquisa, 60% da população também condena as declarações de Lula sobre a guerra de Israel contra o grupo terrorista Hamas.

Acompanhe o MBL no YouTube Análises políticas, debates e bastidores exclusivos
Inscrever-se

Um exemplo disso foi a comparação feita por Lula entre as ações das Forças de Defesa de Israel e o Holocausto, o que resultou em severas críticas nacional e internacionalmente. A historiadora e diplomata americana, Deborah Lipstadt, considerada uma das pessoas mais influentes do mundo pela revista Time, juntou-se ao coro dos que acharam infeliz a declaração do presidente brasileiro.

A queda na popularidade do petista na pesquisa foi generalizada, mas destaca-se a piora significativa na aprovação feminina pelo atual presidente, que diminuiu em 8 pontos percentuais.

A erosão da popularidade de Lula é ainda mais forte na pesquisa do instituto Atlas Intel, divulgada em 7 de março. Nessa pesquisa, a popularidade do ex-torneiro mecânico do ABC paulista ficou abaixo da reprovação pela primeira vez desde o início deste mandato. O instituto, que acertou o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais na Argentina no ano passado, afirma que os números são especialmente catastróficos para Lula na área da segurança pública, onde 66% dos brasileiros desaprovam a política do governo no combate ao crime.

Além disso, um dado interessante, captado mas curiosamente ignorado pela mídia, é que em todos os dezesseis eixos temáticos da pesquisa, o resultado modal, ou seja, o mais citado, é o “péssimo”. Para efeitos de comparação, a área em que menos eleitores entendem que o governo é péssimo é a agricultura, com 35%. Por outro lado, apenas 33% consideram que o governo é “ótimo na área de direitos humanos e igualdade racial”, um número baixo em relação ao discurso e expectativas vendidos pelo PT ao longo das eleições ao seu eleitor, embora seja a porcentagem mais alta entre todas as outras 15 áreas.

Por fim, uma pesquisa feita pelo instituto Ipec (ex-Ibope) também encontrou queda na avaliação do governo. Segundo os resultados do instituto, a aprovação do governo caiu de 33% para 38%, enquanto a desaprovação subiu de 30 para 32%. Trata-se do pior resultado desde a posse de Lula. Dentre aqueles que votaram no atual mandatário, a queda foi de 7 pontos percentuais, de 69% para 61%. Em consonância com os demais estudos, o resultado entre as mulheres também apresentou uma queda sensível, bem como entre os mais pobres.

Mesmo com resultados positivos na economia, esses são, aparentemente, insustentáveis com um enorme rombo no orçamento, levando o país a caminhar a passos largos para uma crise de inflação, segundo o economista Alexandre Schwartsman. De acordo com ele, em 2023, o país cresceu apenas por conta do agronegócio, ficando estagnado no último trimestre do ano. Já o investimento está em frangalhos, tornando um crescimento vigoroso insustentável nos próximos anos. Caso o governo não faça o dever de casa, uma piora na área econômica parece questão de tempo, e não será surpreendente se a popularidade do presidente continuar em declínio.

Fontes:

https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2024/03/06/quaest-aprovacao-do-governo-lula-fevereiro-de-2024.htm

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2024/03/declaracao-de-lula-sobre-holocausto-e-antissemita-diz-diplomata-dos-eua.shtml

https://time.com/collection/100-most-influential-people-2023

https://veja.abril.com.br/coluna/jose-casado/um-aumento-significativo-na-reprovacao-das-mulheres-ao-governo-lula

https://www.atlasintel.org/poll/brazil-2024-03-07

https://exame.com/mundo/eleicao-na-argentina-milei-supera-massa-em-pesquisa-do-instituto-que-acertou-1o-turno

https://www.estadao.com.br/economia/entrevista-alexandre-schwartsman-pib-dificuldade-inflacao