No dia 03/12/2025, no município de Belo Horizonte (BH), no estado de Minas Gerais (MG), ocorreu uma greve de motoristas de ônibus. Exercendo seu direito constitucional, os motoristas fecharam a Avenida Amazonas nos dois sentidos, o que exigiu a intervenção da polícia para controle da situação. No entanto, uma manifestação que tinha como objetivo pressionar os empregadores acabou por atingir diretamente a população, que não possuía qualquer relação com o conflito.

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Pessoas que precisavam trabalhar, estudar, estagiar, procurar emprego ou simplesmente circular pelo centro da capital mineira foram prejudicadas tanto no deslocamento de ida quanto no de volta para suas casas. Caso fosse um estudante e aquele fosse o dia de uma prova ou de um encontro acadêmico, seria necessário descer do ônibus e recorrer a aplicativos de transporte, gerando custos adicionais, sobretudo para alunos das redes pública e privada. Diante disso, surge a reflexão de que, no Brasil, a greve frequentemente é conduzida de forma pouco estratégica.

Em contraponto a essa realidade, no Japão, em 2018, motoristas de ônibus realizaram uma paralisação conhecida como “greve ao contrário”. Nessa modalidade, os trabalhadores continuaram exercendo suas funções, porém deixaram de cobrar a tarifa dos passageiros, causando prejuízo direto e exclusivo às empresas de transporte. Durante a greve ocorrida na cidade de Okayama, estudantes chegaram às escolas e trabalhadores aos seus empregos normalmente. Ainda assim, os grevistas alcançaram seus objetivos, o que evidencia o alto grau de organização social e a valorização da coletividade como princípio fundamental naquele país.

Outro exemplo que reforça a coletividade como valor central na sociedade japonesa é o caso da estudante Kana Harada. Uma empresa ferroviária manteve uma linha de metrô e horários de funcionamento exclusivos para ela durante três anos, garantindo que pudesse concluir seus estudos. Caso essa linha não existisse, a estudante precisaria utilizar um ônibus e caminhar aproximadamente uma hora e quarenta minutos para chegar à escola, o que dificultaria significativamente sua formação.

Mesmo acreditando na possibilidade de um país melhor, torna-se difícil imaginar uma empresa brasileira aceitando prejuízos financeiros para assegurar que um aluno se forme com tranquilidade e segurança, o que revela diferenças profundas entre as culturas analisadas.

No Brasil, ao contrário do Japão, a individualidade frequentemente se sobrepõe ao interesse coletivo. Não por acaso, a expressão “levei vantagem” é amplamente difundida, contribuindo para a desconfiança social e para relações mais hostis entre os cidadãos. Em síntese, ao realizar uma greve, muitas vezes não se considera quem será prejudicado, mas apenas os benefícios individuais a serem obtidos, incluindo a vantagem de não trabalhar, ainda que por um único dia.