{"id":299,"date":"2025-06-26T23:25:00","date_gmt":"2025-06-26T23:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/?p=299"},"modified":"2026-04-14T23:50:49","modified_gmt":"2026-04-14T23:50:49","slug":"por-que-o-brasileiro-nao-confia-no-estado-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/por-que-o-brasileiro-nao-confia-no-estado-2\/","title":{"rendered":"Por que o brasileiro n\u00e3o confia no\u00a0Estado?"},"content":{"rendered":"\n<p>O Brasil enfrenta problemas cr\u00f4nicos desde sua forma\u00e7\u00e3o. Ainda no per\u00edodo do Imp\u00e9rio, as elites articularam com o imperador uma forte centraliza\u00e7\u00e3o do poder na monarquia, temendo que, durante o processo de independ\u00eancia, algumas prov\u00edncias se rebelassem. Essa estrutura centralizada persiste at\u00e9 hoje: a Uni\u00e3o concentra grande parte das decis\u00f5es, dificultando a autonomia de Estados e Munic\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-8-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-300\" srcset=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-8-1.png 1024w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-8-1-300x300.png 300w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-8-1-150x150.png 150w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-8-1-768x768.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Essa centraliza\u00e7\u00e3o cria um distanciamento entre o Estado e o cidad\u00e3o. As pessoas vivem nos munic\u00edpios, mas muitas decis\u00f5es v\u00eam \u201cde cima\u201d, sem considerar a realidade local. Isso gera um sentimento de exclus\u00e3o pol\u00edtica e alimenta a descren\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro problema \u00e9 a dificuldade que o brasileiro comum tem de compreender o funcionamento dos Poderes. Termos como&nbsp;<strong>Congresso Nacional<\/strong>&nbsp;(respons\u00e1vel por fazer as leis federais),&nbsp;<strong>Senado<\/strong><strong>&nbsp;<\/strong>(representa os Estados),&nbsp;<strong>C\u00e2mara dos Deputados<\/strong>(representa o povo),&nbsp;<strong>Assembleias Legislativas<\/strong><strong>,&nbsp;Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/strong>, entre outros, parecem distantes e confusos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa dificuldade \u00e9 agravada pela&nbsp;<strong>alta fragmenta\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria<\/strong>. S\u00e3o muitas siglas \u2014 PT, PL, PSDB, PDT, que, para o cidad\u00e3o, viram apenas letras sem sentido. A falta de identidade e coer\u00eancia dos partidos gera desinteresse e desconfian\u00e7a. Muitos eleitores pensam:&nbsp;<em>\u201cPra que partido pol\u00edtico? J\u00e1 basta o candidato.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, abre-se espa\u00e7o para o&nbsp;<strong>populismo<\/strong>, onde figuras carism\u00e1ticas ganham poder prometendo resolver tudo sozinhas, como se fossem \u201csalvadores da p\u00e1tria\u201d. Os partidos, por sua vez, muitas vezes se tornam dependentes do&nbsp;<strong>financiamento p\u00fablico<\/strong>, e, ao inv\u00e9s de representar o povo, se aproximam do Governo para garantir sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em vez de canais de participa\u00e7\u00e3o da sociedade, os partidos se comportam como&nbsp;<strong>ag\u00eancias de poder<\/strong>, agindo mais para se manter no sistema do que para defender pautas populares. Mesmo quando criam pol\u00edticas p\u00fablicas, muitas vezes o fazem apenas por conveni\u00eancia eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse ambiente, a&nbsp;<strong>democracia se fragiliza<\/strong>. A confian\u00e7a do cidad\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es \u00e9 a base do regime democr\u00e1tico. Quando essa f\u00e9 se rompe, cresce o risco de rupturas institucionais, como vimos recentemente, com parte da popula\u00e7\u00e3o apoiando um presidente populista, pedindo interven\u00e7\u00e3o militar e colocando em d\u00favida as elei\u00e7\u00f5es e o sistema pol\u00edtico. N\u00e3o \u00e9 atoa que o Brasil j\u00e1 teve v\u00e1rias constitui\u00e7\u00f5es e golpes de Estado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-7-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-301\" srcset=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-7-2.png 1024w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-7-2-300x300.png 300w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-7-2-150x150.png 150w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-7-2-768x768.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fica claro que ainda n\u00e3o aprendemos a viver plenamente em uma democracia. O brasileiro at\u00e9 acredita nos valores democr\u00e1ticos, mas n\u00e3o sente que o Estado o representa. Despreza os partidos, desconfia das institui\u00e7\u00f5es e se apega a l\u00edderes personalistas e patriarcais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os partidos precisam estar&nbsp;<strong>mais pr\u00f3ximos do povo<\/strong>, defender causas com coer\u00eancia e ter candidatos comprometidos com seus projetos. O Estado deve abandonar a l\u00f3gica de&nbsp;<strong>manuten\u00e7\u00e3o do poder a qualquer custo<\/strong>&nbsp;e se reaproximar da popula\u00e7\u00e3o com pol\u00edticas que resolvam problemas reais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fundamental que o brasileiro amadure\u00e7a politicamente e entenda que&nbsp;<strong>nenhum l\u00edder est\u00e1 acima da Constitui\u00e7\u00e3o<\/strong>. As institui\u00e7\u00f5es e as leis s\u00e3o a base da liberdade, da justi\u00e7a e da estabilidade. Proteger a democracia \u00e9, antes de tudo,&nbsp;<strong>acreditar nela e exigir que ela funcione atrav\u00e9s de suas institui\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil enfrenta problemas cr\u00f4nicos desde sua forma\u00e7\u00e3o. Ainda no per\u00edodo do Imp\u00e9rio, as elites articularam com o imperador uma forte centraliza\u00e7\u00e3o do poder na monarquia, temendo que, durante o processo de independ\u00eancia, algumas prov\u00edncias se rebelassem. 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