{"id":339,"date":"2025-02-09T23:51:00","date_gmt":"2025-02-09T23:51:00","guid":{"rendered":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/?p=339"},"modified":"2026-04-14T23:54:05","modified_gmt":"2026-04-14T23:54:05","slug":"o-calvario-invisivel-dos-pedestres-a-crise-da-mobilidade-urbana-em-minas-gerais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/o-calvario-invisivel-dos-pedestres-a-crise-da-mobilidade-urbana-em-minas-gerais\/","title":{"rendered":"O calv\u00e1rio invis\u00edvel dos pedestres: a crise da mobilidade urbana em Minas\u00a0Gerais"},"content":{"rendered":"\n<p>A modernidade proclama a inclus\u00e3o, mas negligencia a infraestrutura. Entre discursos progressistas e a realidade das ruas, h\u00e1 um abismo escancarado pelo descaso. Minas Gerais, como tantas outras regi\u00f5es do pa\u00eds, enfrenta um dilema que se reflete n\u00e3o apenas nos discursos pol\u00edticos, mas tamb\u00e9m no concreto quebrado das cal\u00e7adas, que deveriam sustentar a dignidade do caminhar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"650\" height=\"840\" src=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1910226431-2.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-340\" srcset=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1910226431-2.webp 650w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1910226431-2-232x300.webp 232w\" sizes=\"auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Trincas, buracos e pisos desnivelados transformam-se em armadilhas cotidianas, enquanto rampas de acesso inexistentes ou inadequadas dificultam a mobilidade. A legisla\u00e7\u00e3o, em sua letra morta, prev\u00ea que nenhum projeto arquitet\u00f4nico ou urban\u00edstico pode ser aprovado sem respeitar as normas de acessibilidade. Contudo, a pr\u00e1tica contradiz a norma: cal\u00e7adas estreitas, degraus intranspon\u00edveis e desajustes s\u00e3o o padr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a regulamenta\u00e7\u00e3o, a largura das cal\u00e7adas deveria ser, no m\u00ednimo, de dois metros, garantindo 1,5 metro livre de barreiras. Para constru\u00e7\u00f5es antigas, esse espa\u00e7o n\u00e3o pode ser inferior a 1,2 metro. No entanto, tais regras s\u00e3o sistematicamente ignoradas. Enquanto se privilegia o fluxo motorizado, um ter\u00e7o dos deslocamentos urbanos no Brasil continua sendo feito a p\u00e9 por indiv\u00edduos que n\u00e3o encontram a cidade projetada para suas necessidades.<\/p>\n\n\n\n<p>O sil\u00eancio institucional refor\u00e7a essa exclus\u00e3o. A Lei 12.587\/2012, que define a Pol\u00edtica Nacional de Mobilidade Urbana, sequer menciona os termos \u201cpedestre\u201d ou \u201ccal\u00e7adas\u201d. Esse v\u00e1cuo normativo resulta em trajetos inseguros e, muitas vezes, perigosos. Os desn\u00edveis n\u00e3o s\u00e3o meros contratempos; s\u00e3o riscos concretos que ocasionam les\u00f5es e, em casos extremos, fatalidades.<\/p>\n\n\n\n<p>A arquiteta e urbanista Mar\u00edlia Hildebrand, representante do portal Mobilize Brasil, ressalta que a caminhabilidade deveria ser um conceito essencial na constru\u00e7\u00e3o da cidadania. \u201cO problema n\u00e3o \u00e9 apenas dos propriet\u00e1rios, mas da sociedade, que n\u00e3o reconhece essa infraestrutura como parte fundamental da mobilidade\u201d, afirma. Para ela, o ideal seria criar \u201ccaminhos caminh\u00e1veis\u201d, onde o direito de ir e vir n\u00e3o fosse privil\u00e9gio de poucos, mas uma realidade para todos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"534\" src=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/calcadas-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-341\" srcset=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/calcadas-1.jpg 800w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/calcadas-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/calcadas-1-768x513.jpg 768w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/calcadas-1-600x400.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Os exemplos de desmazelo est\u00e3o por toda parte em Minas Gerais. Em diversas cidades, as cal\u00e7adas s\u00e3o insuficientes para garantir a circula\u00e7\u00e3o segura dos pedestres. Em Juiz de Fora, a neglig\u00eancia estrutural culminou em uma trag\u00e9dia: o desabamento de uma marquise custou a vida de um professor de m\u00fasica. Foi necess\u00e1ria essa fatalidade para que se iniciasse a fiscaliza\u00e7\u00e3o das estruturas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, fios soltos e emaranhados espalham-se como teias de descaso, amea\u00e7ando os transeuntes. Pontos de \u00f4nibus ca\u00eddos ou sem cobertura evidenciam a precariedade do transporte p\u00fablico, e o desrespeito \u00e0s normas de acessibilidade continua a impedir que a mobilidade seja um direito universal.<\/p>\n\n\n\n<p>O que diz uma cidade sobre seus habitantes quando ignora o ch\u00e3o que pisam? Mais do que concreto e asfalto, a mobilidade representa a dignidade da exist\u00eancia urbana. Enquanto a caminhada for um desafio e n\u00e3o um direito, a inclus\u00e3o ser\u00e1 apenas um discurso vazio, perdido entre os escombros das cal\u00e7adas quebradas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIRA:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2012\/lei\/l12587.htm\">https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2012\/lei\/l12587.htm<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-tribuna-de-minas wp-block-embed-tribuna-de-minas\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"tuzBUx1BcV\"><a href=\"https:\/\/tribunademinas.com.br\/noticias\/cidade\/06-08-2011\/calcadas-sem-manutencao-estreitas-e-esburacadas.html\">Cal\u00e7adas sem manuten\u00e7\u00e3o, estreitas e esburacadas<\/a><\/blockquote><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;Cal\u00e7adas sem manuten\u00e7\u00e3o, estreitas e esburacadas&#8221; &#8212; Tribuna de Minas\" src=\"https:\/\/tribunademinas.com.br\/noticias\/cidade\/06-08-2011\/calcadas-sem-manutencao-estreitas-e-esburacadas.html\/embed#?secret=fPJiXRguch#?secret=tuzBUx1BcV\" data-secret=\"tuzBUx1BcV\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/caosplanejado.com\/calcadas-brasileiras-revelam-negligencia-com-o-pedestre\">https:\/\/caosplanejado.com\/calcadas-brasileiras-revelam-negligencia-com-o-pedestre<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mg\/zona-da-mata\/noticia\/2024\/12\/10\/marquise-desaba-no-bairro-nova-benfica-em-juiz-de-fora.ghtm\">https:\/\/g1.globo.com\/mg\/zona-da-mata\/noticia\/2024\/12\/10\/marquise-desaba-no-bairro-nova-benfica-em-juiz-de-fora.ghtm<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A modernidade proclama a inclus\u00e3o, mas negligencia a infraestrutura. 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