{"id":369,"date":"2025-06-21T13:00:00","date_gmt":"2025-06-21T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/?p=369"},"modified":"2026-04-25T18:56:45","modified_gmt":"2026-04-25T18:56:45","slug":"por-uma-nova-minas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/por-uma-nova-minas\/","title":{"rendered":"Por uma Nova\u00a0Minas"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cDestes penhascos fez a natureza<br>O ber\u00e7o em que nasci: oh! quem cuidara<br>Quem entre penhas t\u00e3o duras se criara<br>Uma alma terna, um peito sem dureza!\u201d<br>\u2014 Cl\u00e1udio Manuel da Costa (1768)<\/p>\n\n\n\n<p>Queria escrever um texto motivador, inspirado no famoso discurso de posse de Tancredo Neves como governador, no Pal\u00e1cio da Liberdade. A ideia era trazer suas palavras de 1983 para 2025, mas, ao revisitar o discurso, a dire\u00e7\u00e3o mudou.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"276\" height=\"183\" src=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/images-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-371\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O discurso inicia com uma frase forte, digna de perpetuar-se nos anais da hist\u00f3ria: \u201cMineiros, o primeiro compromisso de Minas \u00e9 com a Liberdade.\u201d Entoada diante de milhares, no Pal\u00e1cio da Liberdade, na emblem\u00e1tica Pra\u00e7a da Liberdade, essa declara\u00e7\u00e3o \u00e9 acalentadora. Tancredo fala diretamente aos mineiros, orgulhosos de sua terra e de sua hist\u00f3ria. H\u00e1 uma aura quase m\u00edstica em torno da palavra liberdade \u2014 um eco do passado que ressoa na alma de quem vive sob o manto das montanhas de Minas. \u201cLiberdade \u00e9 o outro nome de Minas\u201d, dizia ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas que liberdade \u00e9 essa? Apenas um lema? Um chamamento que provoca emo\u00e7\u00e3o, mas carece de a\u00e7\u00e3o? Se esse discurso fosse atribu\u00eddo ao primeiro quarto do s\u00e9culo XXI, ningu\u00e9m contestaria. Os problemas discutidos \u2014 as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas de Minas Gerais, a participa\u00e7\u00e3o das mulheres na pol\u00edtica, crises econ\u00f4micas estadual e nacional, desemprego, endividamento da agropecu\u00e1ria, desindustrializa\u00e7\u00e3o e altos encargos financeiros sobre o com\u00e9rcio \u2014 permanecem praticamente inalterados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"200\" src=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/20201202092125911704o.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-370\" srcset=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/20201202092125911704o.webp 400w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/20201202092125911704o-300x150.webp 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O que foi feito? Algum mineiro, ou grupo de mineiros, ergueu-se para enfrentar os desafios e promover mudan\u00e7as significativas? Houve resultados concretos? Parece que n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No restante do discurso, Tancredo aborda quest\u00f5es familiares a qualquer \u00e9poca: a m\u00e1quina administrativa cara e obsoleta, a recupera\u00e7\u00e3o da cultura, o aumento das escolas, o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, as exig\u00eancias salariais da PM e do Judici\u00e1rio. Em Belo Horizonte, por exemplo, as reclama\u00e7\u00f5es de 1983 j\u00e1 mencionavam as calamidades provocadas pelas chuvas e o tr\u00e2nsito ca\u00f3tico. Imagine o que aquelas pessoas pensariam se vissem o tr\u00e2nsito de hoje!<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 no discurso uma emo\u00e7\u00e3o palp\u00e1vel, mas falta alma. S\u00e3o palavras bonitas que, ao serem retiradas, n\u00e3o deixam lacuna. Isso \u00e9 o que nos tornamos? Um povo emocionado, mas sem alma?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"736\" height=\"503\" src=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/4ca62214a42013ab07c73ec33ecad55f-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-372\" srcset=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/4ca62214a42013ab07c73ec33ecad55f-1.jpg 736w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/4ca62214a42013ab07c73ec33ecad55f-1-300x205.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 736px) 100vw, 736px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cConhecida \u00e9 a nossa toler\u00e2ncia, elogiada \u00e9 a nossa disposi\u00e7\u00e3o para o di\u00e1logo e a concilia\u00e7\u00e3o\u201d, dizia Tancredo. Contudo, toler\u00e2ncia e di\u00e1logo n\u00e3o s\u00e3o virtudes quando os resultados s\u00e3o negativos para o povo. Ap\u00f3s d\u00e9cadas de retrocessos, \u00e9 hora de os mineiros se levantarem, de serem intolerantes com a injusti\u00e7a, intransigentes na defesa de seus direitos, ensandecidos de bravura para proteger a dignidade de Minas e da P\u00e1tria.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque Minas Gerais n\u00e3o \u00e9 apenas um estado; \u00e9 um pequeno Brasil dentro do Brasil. E o que acontece aqui ecoa por toda a na\u00e7\u00e3o. Como disse Tancredo, \u201cpara n\u00f3s, o amor a Minas \u00e9 o amor ao Brasil.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cDestes penhascos fez a naturezaO ber\u00e7o em que nasci: oh! quem cuidaraQuem entre penhas t\u00e3o duras se criaraUma alma terna, um peito sem dureza!\u201d\u2014 Cl\u00e1udio Manuel da Costa (1768) Queria escrever um texto motivador, inspirado no famoso discurso de posse de Tancredo Neves como governador, no Pal\u00e1cio da Liberdade. 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