{"id":434,"date":"2024-10-14T21:28:00","date_gmt":"2024-10-14T21:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/?p=434"},"modified":"2026-04-25T21:29:39","modified_gmt":"2026-04-25T21:29:39","slug":"carlos-drummond-de-andrade-e-seu-legado-na-literatura-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/carlos-drummond-de-andrade-e-seu-legado-na-literatura-nacional\/","title":{"rendered":"Carlos Drummond de Andrade e Seu Legado na Literatura\u00a0Nacional"},"content":{"rendered":"\n<p>No dia 3 de outubro deste ano, faleceu o locutor e apresentador Cid Moreira, um dos maiores nomes do jornalismo brasileiro. Mas qual foi a rela\u00e7\u00e3o entre Carlos Drummond de Andrade e Cid Moreira? No falecimento de Drummond, em 1987, Cid leu um poema em sua homenagem. Por isso, vamos contar a hist\u00f3ria desse grande poeta e escritor mineiro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"520\" src=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/imagem-do-whatsapp-de-2024-10-14-as-21.39.04_ae0cbcaf.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-435\" srcset=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/imagem-do-whatsapp-de-2024-10-14-as-21.39.04_ae0cbcaf.webp 1024w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/imagem-do-whatsapp-de-2024-10-14-as-21.39.04_ae0cbcaf-300x152.webp 300w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/imagem-do-whatsapp-de-2024-10-14-as-21.39.04_ae0cbcaf-768x390.webp 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Carlos Drummond de Andrade nasceu no dia 31 de outubro de 1902, em Itabira do Mato Dentro, Minas Gerais. Ele foi o nono filho do casal Carlos de Paula Andrade e Julieta Augusta Drummond de Andrade.<\/p>\n\n\n\n<p>Interessou-se por literatura desde cedo. Em 1916, ingressou no col\u00e9gio em Belo Horizonte. Dois anos depois, foi estudar no internato jesu\u00edta do Col\u00e9gio Anchieta, em Nova Friburgo, Rio de Janeiro, onde estudou nos \u201cCertames Liter\u00e1rios\u201d. L\u00e1 ficou por dois anos, at\u00e9 ser expulso em 1921 ap\u00f3s uma discuss\u00e3o com uma professora de portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, ele retorna para Belo Horizonte e come\u00e7a a publicar seus primeiros trabalhos no Di\u00e1rio de Minas, em 1921. Formou-se em Farm\u00e1cia na Escola de Odontologia e Farm\u00e1cia de Belo Horizonte, mas n\u00e3o exerceu a profiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1018\" height=\"1023\" src=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/imagem-do-whatsapp-de-2024-10-14-as-21.39.05_9bc39ce6.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-436\" srcset=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/imagem-do-whatsapp-de-2024-10-14-as-21.39.05_9bc39ce6.webp 1018w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/imagem-do-whatsapp-de-2024-10-14-as-21.39.05_9bc39ce6-300x300.webp 300w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/imagem-do-whatsapp-de-2024-10-14-as-21.39.05_9bc39ce6-150x150.webp 150w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/imagem-do-whatsapp-de-2024-10-14-as-21.39.05_9bc39ce6-768x772.webp 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1018px) 100vw, 1018px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Casou-se com Dolores Dutra de Morais, em 1925, com quem teve dois filhos: Carlos Filho (nascido em 1927, que viveu apenas meia hora) e Maria Julieta Drummond de Andrade, nascida em 1928.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1930, foi publicado seu primeiro livro, Alguma Poesia. O seu primeiro poema conhecido, \u201cNo Meio do Caminho\u201d, foi publicado em 1928 na Revista de Antropofagia, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Drummond trabalhou por 35 anos como funcion\u00e1rio p\u00fablico, aposentando-se como chefe de se\u00e7\u00e3o do DPHAN. Ainda em vida, em 1982, recebeu o t\u00edtulo de \u201cDoutor Honoris Causa\u201d pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).<\/p>\n\n\n\n<p>Faleceu em 17 de agosto de 1987, aos 85 anos, no Rio de Janeiro, deixando um grande legado para a literatura brasileira. Sem d\u00favidas, \u00e9 um dos maiores mineiros de todos os tempos.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas de suas principais obras incluem:<\/p>\n\n\n\n<p>O Gerente (1945)<\/p>\n\n\n\n<p>A Mesa (1951)<\/p>\n\n\n\n<p>Claro Enigma (1951)<\/p>\n\n\n\n<p>Ciclo (1957)<\/p>\n\n\n\n<p>Fala, Amendoeira (1957)<\/p>\n\n\n\n<p>Li\u00e7\u00e3o de Coisas (1962)<\/p>\n\n\n\n<p>A Rosa do Povo (1945)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"671\" src=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/imagem-do-whatsapp-de-2024-10-14-as-21.39.05_cbffd3fe.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-437\" srcset=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/imagem-do-whatsapp-de-2024-10-14-as-21.39.05_cbffd3fe.webp 1024w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/imagem-do-whatsapp-de-2024-10-14-as-21.39.05_cbffd3fe-300x197.webp 300w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/imagem-do-whatsapp-de-2024-10-14-as-21.39.05_cbffd3fe-768x503.webp 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O poema que Cid Moreira leu logo ap\u00f3s a morte do escritor foi \u201cE agora, Jos\u00e9?\u201d (1942), de autoria do pr\u00f3prio Drummond. Na \u00e9poca, Cid leu apenas a primeira estrofe, mas em homenagem a essas duas lendas, publicamos o poema completo a seguir:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E agora, Jos\u00e9?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>E agora, Jos\u00e9?<br>A festa acabou,<br>a luz apagou,<br>o povo sumiu,<br>a noite esfriou,<br>e agora, Jos\u00e9?<br>e agora, voc\u00ea?<br>Voc\u00ea que \u00e9 sem nome,<br>que zomba dos outros,<br>Voc\u00ea que faz versos,<br>que ama, protesta?<br>e agora, Jos\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 sem mulher,<br>est\u00e1 sem discurso,<br>est\u00e1 sem carinho,<br>j\u00e1 n\u00e3o pode beber,<br>j\u00e1 n\u00e3o pode fumar,<br>cuspir j\u00e1 n\u00e3o pode,<br>a noite esfriou,<br>o dia n\u00e3o veio,<br>o bonde n\u00e3o veio,<br>o riso n\u00e3o veio,<br>n\u00e3o veio a utopia<br>e tudo acabou<br>e tudo fugiu<br>e tudo mofou,<br>e agora, Jos\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>E agora, Jos\u00e9?<br>Sua doce palavra,<br>seu instante de febre,<br>sua gula e jejum,<br>sua biblioteca,<br>sua lavra de ouro,<br>seu terno de vidro,<br>sua incoer\u00eancia,<br>seu \u00f3dio, \u2013 e agora?<\/p>\n\n\n\n<p>Com a chave na m\u00e3o<br>quer abrir a porta,<br>n\u00e3o existe porta;<br>quer morrer no mar,<br>mas o mar secou;<br>quer ir para Minas,<br>Minas n\u00e3o h\u00e1 mais!<br>Jos\u00e9, e agora?<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea gritasse,<br>se voc\u00ea gemesse,<br>se voc\u00ea tocasse,<br>a valsa vienense,<br>se voc\u00ea dormisse,<br>se voc\u00ea cansasse,<br>se voc\u00ea morresse\u2026<br>Mas voc\u00ea n\u00e3o morre,<br>voc\u00ea \u00e9 duro, Jos\u00e9!<\/p>\n\n\n\n<p>Sozinho no escuro<br>qual bicho-do-mato,<br>sem teogonia,<br>sem parede nua<br>para se encostar,<br>sem cavalo preto<br>que fuja do galope,<br>voc\u00ea marcha, Jos\u00e9!<br>Jos\u00e9, para onde?<\/p>\n\n\n\n<p>Esperamos que novos g\u00eanios surjam e consigam revitalizar uma cultura t\u00e3o vulgarizada como a nossa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 3 de outubro deste ano, faleceu o locutor e apresentador Cid Moreira, um dos maiores nomes do jornalismo brasileiro. Mas qual foi a rela\u00e7\u00e3o entre Carlos Drummond de Andrade e Cid Moreira? No falecimento de Drummond, em 1987, Cid leu um poema em sua homenagem. Por isso, vamos contar a hist\u00f3ria desse grande [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":438,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-434","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/434","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=434"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/434\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":439,"href":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/434\/revisions\/439"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-json\/wp\/v2\/media\/438"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=434"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=434"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=434"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}