{"id":449,"date":"2024-10-14T21:31:00","date_gmt":"2024-10-14T21:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/?p=449"},"modified":"2026-04-25T21:32:38","modified_gmt":"2026-04-25T21:32:38","slug":"poeticamente-minas-poeticamente-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/poeticamente-minas-poeticamente-brasil\/","title":{"rendered":"Poeticamente Minas, poeticamente\u00a0Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>A famosa frase de Guimar\u00e3es Rosa, \u201cMinas s\u00e3o muitas. Por\u00e9m, poucos s\u00e3o aqueles que conhecem as mil faces das Gerais\u201d, retrata uma realidade: Minas Gerais \u00e9 um retrato do Brasil. Dentro do territ\u00f3rio mineiro, temos a por\u00e7\u00e3o nordestina, com mercados centrais que vendem varia\u00e7\u00f5es de farinha de mandioca, carne de sol e famosas cacha\u00e7as; a \u201cMinas Profunda\u201d, onde est\u00e1 a m\u00edstica S\u00e3o Tom\u00e9 das Letras; a Minas Gerais do centro-sul, destacada na topografia e na cultura metropolitana de Belo Horizonte, a parte mais cosmopolita do estado; o sul de Minas, mais paulista e com uma consci\u00eancia ecol\u00f3gica admir\u00e1vel; a Zona da Mata, mais carioca, onde se torce para Vasco ou Flamengo e se considera Belo Horizonte uma \u201cro\u00e7a grande\u201d; e o Tri\u00e2ngulo Mineiro, mais goiano, onde se come arroz de su\u00e3 e se ouve m\u00fasica sertaneja.<\/p>\n\n\n\n<p>Minas Gerais, um Brasil dentro do Brasil, permite an\u00e1lises sociais, pol\u00edticas e culturais do pa\u00eds. Analisando as poesias mineiras, encontramos algo que define o brasileiro: melancolia. O brasileiro vive uma sensa\u00e7\u00e3o melanc\u00f3lica, marcada por uma culpa que leva a um desequil\u00edbrio entre emo\u00e7\u00e3o e intelecto, resultando em uma hipertrofia da fun\u00e7\u00e3o cognitiva e no aumento da capacidade de raciocinar sobre seu estado. Isso faz com que o indiv\u00edduo melanc\u00f3lico n\u00e3o reaja, mas viva uma ansiedade de mudar a realidade, elaborando constru\u00e7\u00f5es tardias que j\u00e1 falharam no passado, espelhando-se em antigas utopias e envolvendo a sociedade em imagens de morte e desgra\u00e7as, seja por um sentimento v\u00edvido de tristeza, seja por uma ang\u00fastia existencial frente ao fluir do tempo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"620\" height=\"413\" src=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-4-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-450\" srcset=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-4-3.png 620w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-4-3-300x200.png 300w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-4-3-600x400.png 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O olhar da poesia mineira reflete o brasileiro em geral, de norte a sul, ruminando seu passado e interrogando seu futuro. Uma na\u00e7\u00e3o que se constitui como um contraponto cr\u00edtico ao Brasil m\u00edtico pintado pelos filmes, futebol, samba e poesias. O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade retrata essa melancolia \u00e0 moda brasileira no poema \u201cLanterna M\u00e1gica\u201d, feito especialmente para Minas Gerais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"382\" height=\"376\" src=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-2-4.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-451\" srcset=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-2-4.png 382w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-2-4-300x295.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 382px) 100vw, 382px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Transformando esse poema em uma alus\u00e3o \u00e0 melancolia da pol\u00edtica brasileira atual: \u201cMeus olhos t\u00eam melancolia\u201d sinaliza a perspectiva do indiv\u00edduo entorpecido e indiferente a quem ocupa a presid\u00eancia, afinal, pol\u00edticos s\u00e3o todos iguais. A cidade \u00e9 velha e as \u201c\u00e1rvores s\u00e3o repetidas\u201d, indicando que esc\u00e2ndalos, corrup\u00e7\u00e3o e promessas n\u00e3o cumpridas se repetir\u00e3o. \u201cDebaixo de cada \u00e1rvore dependuro meu palet\u00f3\u201d, mas apesar disso, o poeta faz desse lugar sua morada. Afinal, n\u00e3o \u00e9 assim o brasileiro? Senta, chora e briga, mas no final acaba se acostumando e fazendo dessa bagun\u00e7a seu pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"350\" height=\"623\" src=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-3-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-452\" srcset=\"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-3-1.png 350w, https:\/\/mblmg.org\/escribas\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-3-1-169x300.png 169w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cPelos jardins de Versailles\u201d reflete a ideia de copiar as belezas t\u00edpicas da moderniza\u00e7\u00e3o de outro pa\u00eds, desejando algo melhor, mas esquecendo que o jardim foi feito por uma rainha gastadora que perdeu a cabe\u00e7a. Assim, ficamos com uma \u201cmodernidade de veloc\u00edpedes\u201d, uma vers\u00e3o barata e mais f\u00e1cil. Afinal, somos ou n\u00e3o o \u201cjeitinho brasileiro\u201d?<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cE o velho fraque na casinha de alpendre com duas janelas dolorosas\u201d retrata o velho fraque, traje de cerim\u00f4nias, sinal de cosmopolitismo, \u00e0 casinha de alpendre colonial; e assim, com sutileza, o brasileiro se contenta com o traje de festa em uma realidade de pobreza. Vemos que, apesar de Carlos Drummond ter descrito a metr\u00f3pole mineira e Guimar\u00e3es Rosa ter dito que poucos conhecem as mil faces das Gerais, terminamos analisando a face do Brasil e do brasileiro, porque, no fim, o mineiro \u00e9 poeticamente o brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte:<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.escritas.org\/pt\/t\/54384\/lanterna-magica\">https:\/\/www.escritas.org\/pt\/t\/54384\/lanterna-magica<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.leffa.pro.br\/tela4\/Textos\/Textos\/Anais\/ECLAE_II\/melancolia%20e%20linguagem\/principal.htm#:~:text=Isso%20reflete%20o%20retardamento%20ideativo,59).\">https:\/\/www.leffa.pro.br\/tela4\/Textos\/Textos\/Anais\/ECLAE_II\/melancolia%20e%20linguagem\/principal.htm#:~:text=Isso%20reflete%20o%20retardamento%20ideativo,59).<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A famosa frase de Guimar\u00e3es Rosa, \u201cMinas s\u00e3o muitas. 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