{"id":68,"date":"2025-12-06T12:00:00","date_gmt":"2025-12-06T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/?p=68"},"modified":"2026-01-31T17:44:23","modified_gmt":"2026-01-31T17:44:23","slug":"a-revolucao-dos-bichos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mblmg.org\/escribas\/a-revolucao-dos-bichos\/","title":{"rendered":"A Revolu\u00e7\u00e3o dos\u00a0Bichos"},"content":{"rendered":"\n<p>Meus pais tinham a prioridade de que meu irm\u00e3o e eu estud\u00e1ssemos e que tiv\u00e9ssemos sempre o melhor poss\u00edvel em mat\u00e9ria de educa\u00e7\u00e3o. O lema deles era de que o ensino era algo que iriamos herdar e que ningu\u00e9m poderia tomar para si. Pois bem, quando eu era crian\u00e7a, ali por volta da quarta ou quinta s\u00e9rie, quando n\u00e3o existia ainda o famigerado \u201cnono ano\u201d, havia no meu livro de Geografia uma li\u00e7\u00e3o inteira sobre o IDH (\u00edndice de desenvolvimento humano). Ainda me lembro dos gr\u00e1ficos que dever\u00edamos analisar, onde indicadores como educa\u00e7\u00e3o e economia influenciavam diretamente no resultado. No mesmo cap\u00edtulo aprendemos sobre renda per capta e outas formas de aferir o desenvolvimento de um pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eu devia ter entre 11 e 12 anos, e foi, naquele momento que eu havia percebido que, para os maus pol\u00edticos, bastava deixar de investir em educa\u00e7\u00e3o para que uma sociedade come\u00e7asse a colapsar. E ele, o mau gestor, s\u00f3 teria benef\u00edcios com isso, pois quanto mais ignorante fosse a popula\u00e7\u00e3o, mais f\u00e1cil seria de manipular a narrativa e conquistar mais votos. \u00c9 bem verdade que a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 tratada como uma cria\u00e7\u00e3o de porcos para abate. Os su\u00ednos ficam extremamente felizes quando o fazendeiro enche o cocho, sem perceber que a outra m\u00e3o segura a faca.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Que analogia infeliz podemos fazer com a realidade brasileira que recai atualmente sobre o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio, o ENEM. Devaixo de esc\u00e2ndalos de vazamento foi poss\u00edvel perceber que a prova mais importante para um jovem ingressar na Universidade sempre fora tratada com desleixo. Em 2009 eu era uma estudante que faria o ENEM, e me lembro perfeitamente do rosto do Haddad na TV, na \u00e9poca ministro da educa\u00e7\u00e3o, pedindo desculpas pelo vazamento da prova, que seria inevitavelmente adiada. Ou seja, n\u00e3o a primeira vez que o exame tem ao seu redor esc\u00e2ndalos de vazamento e fraude.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em 2017 a jornalista Renata Cafardo descreve um verdadeiro esquema de vazamento do ENEM de 2009. E descreve como j\u00e1 naquela \u00e9poca, igual a hoje, o Pr\u00eamio CAAPES era usado como uma forma de \u201ctestar as quest\u00f5es\u201d. De modo que o ENEM do ano seguinte teria reprodu\u00e7\u00f5es exatas de quest\u00f5es do CAPES do ano anterior. O que hoje sabemos ser verdade e um \u201cesquema\u201d antigo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas a anedota revela ainda mais. Ela nos mostra como os porcos ficam gratos quando o fazendeiro faz um afago, afinal, j\u00e1 nasceram porcos e n\u00e3o possuem o cond\u00e3o de serem fazendeiros. Na verdade, se o fossem, tamb\u00e9m serviriam a comida munidos de uma faca na m\u00e3o oposta. Entenda, caro leitor, que n\u00e3o existe mudan\u00e7a de Brasil que n\u00e3o passa pela valoriza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o de base.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meus pais tinham a prioridade de que meu irm\u00e3o e eu estud\u00e1ssemos e que tiv\u00e9ssemos sempre o melhor poss\u00edvel em mat\u00e9ria de educa\u00e7\u00e3o. O lema deles era de que o ensino era algo que iriamos herdar e que ningu\u00e9m poderia tomar para si. 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