Recentemente, duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) têm gerado intensos debates no cenário político brasileiro.

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A primeira é a PEC 32/2020, conhecida como reforma administrativa. Apresentada ao Congresso Nacional em setembro de 2020 pelo Poder Executivo Federal, por meio do Ministério da Economia — à época liderado por Paulo Guedes —, a proposta foi aprovada pela Comissão Especial da Câmara em 2021, mas ainda não foi votada em plenário. Atualmente, o relator é o deputado Pedro Paulo (PSD).

A PEC propõe mudanças que atingem apenas futuros servidores, sem afetar os direitos adquiridos daqueles que já estão na ativa. Entre os principais pontos estão:

                  •               a criação de novos vínculos de ingresso no serviço público;

                  •               o fim da estabilidade automática em diversos cargos (com exceção de carreiras típicas de Estado, como policiais, bombeiros, diplomatas e auditores);

                  •               a concessão de maior poder ao Executivo para extinguir órgãos e cargos por decreto, em alguns casos sem necessidade de aprovação legislativa;

                  •               maior flexibilidade na gestão de pessoal, com avaliações de desempenho, promoções e desligamentos.

Os defensores da proposta afirmam que ela busca modernizar o serviço público e reduzir privilégios. No entanto, há críticas ao fato de que não abrange militares, juízes e parlamentares, concentrando as mudanças no Executivo civil. Entre os riscos apontados estão a possibilidade de perseguição política a servidores e a excessiva concentração de poder no Executivo. Sugere-se que uma maior participação do Legislativo poderia trazer mais equilíbrio e transparência.

Outro ponto de debate é o descompasso entre privilégios: enquanto servidores civis enfrentam restrições, outras categorias, como militares e magistrados, permanecem praticamente intocadas. Argumenta-se que todos os agentes públicos deveriam estar sujeitos a mecanismos de responsabilização e avaliação de desempenho — inclusive autoridades políticas.

A segunda proposta em discussão é a PEC 30/2025, chamada de “PEC Antiprivilégio”, de autoria do deputado federal Kim Kataguiri (UNIÃO). Em fase inicial de tramitação, a PEC busca estabelecer regras mais equitativas para agentes públicos.

Entre suas medidas, destacam-se:

                  •               a possibilidade de que o Congresso e o Presidente também proponham mudanças no Estatuto da Magistratura — atualmente restrito ao STF;

                  •               a unificação do direito a 30 dias de férias anuais para todos os servidores;

                  •               a proibição de benefícios como licença-prêmio, férias-prêmio e afastamentos remunerados baseados apenas no tempo de serviço.

O debate em torno dessas propostas contrapõe, de um lado, a busca por modernização e redução de gastos públicos e, de outro, as preocupações com a manutenção de privilégios de determinadas categorias e os riscos de concentração de poder. O processo segue em aberto no Congresso Nacional.