A morte de Charlie Kirk, influenciador conservador norte-americano, repercutiu com força no Brasil. Kirk foi baleado durante um discurso na Universidade do Vale de Utah, em 10 de setembro, e não resistiu. Enquanto nos EUA a investigação ainda buscava esclarecer motivações, no Brasil parte da imprensa se apressou em colar no episódio um rótulo: “extremista de direita”.
Essa escolha não é trivial. No lugar de reportar o acontecimento de forma neutra, parte dos veículos brasileiros decidiu enquadrar Kirk numa categoria política carregada de julgamento moral. CartaCapital, por exemplo, destacou em sua manchete: “Influenciador de extrema-direita Charlie Kirk é baleado em universidade dos EUA”. Já a Globo, em seu portal G1, destacou a expressão “ativista da extrema-direita dos EUA”.

A diferença de enquadramento é reveladora. Ao rotular Kirk como “extremista”, o jornalismo assume uma narrativa antes mesmo da apuração dos fatos. Afinal, se a questão central é que ele foi assassinado em pleno exercício de sua atividade pública, o foco deveria estar no ataque e em suas implicações para a democracia, e não em atacar aideologia da vítima.

Infelizmente, essa postura não é isolada. Há anos a imprensa brasileira construiu o hábito de classificar personagens de acordo com o quanto se afastam do consenso progressista. Conservadores passam a ser automaticamente “extremistas”. O resultado é uma imprensa menos interessada em informar e mais focada em organizar o mundo em categorias convenientes à sua audiência.

O contraste ficou evidente também na reação política. Parlamentares brasileiros ligados à direita lamentaram a morte e denunciaram perseguição ideológica. Para eles, a execução de Kirk é mais um alerta sobre a escalada da violência política contra vozes conservadoras no Ocidente. Já para parte da mídia, o debate pareceu mais um pretexto para reforçar os rótulos contra as vozes que dissoam dela.

O problema é que, ao adotar esse tipo de enquadramento, a imprensa enfraquece a própria credibilidade. Em vez de oferecer ao público os fatos e abrir espaço para interpretações diversas, ela antecipa a interpretação e entrega os fatos moldados. O jornalismo perde quando troca a apuração pela narrativa ideológica.
Charlie Kirk foi morto em um ato político. Isso por si só já seria suficiente para uma cobertura séria, ampla e cuidadosa. Mas, no Brasil, o que pareceu mais urgente foi expor um rótulo e ignorar a discussão desta tragédia e a importancia da tolerância em debates políticos, algo que está a desaparecer em várias democracias.
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