Ao contemplarmos as belezas de Minas Gerais, nos deparamos com o nome Tiradentes. E você pode se perguntar se é o nome do Patrono da independência, do líder da Inconfidência, aquele feriado nacional que todos aproveitam e poucos conhecem o motivo, ou o nome de uma cidadezinha encantadora no interior mineiro.

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Vamos focar na cidadezinha mineira que está aproximadamente a 200 km da capital Belo Horizonte.

Quase ninguém sabe que um passeio por Tiradentes pode ser comparado a uma visita ao museu do Louvre, em Paris, ou ao subterrâneo do Coliseu, em Roma, que ficou entre as 25 melhores excursões culturais e históricas do mundo.

A cidade, do interior de nosso estado, apresenta uma arquitetura esplêndida, com um dos acervos arquitetônicos mais importantes de Minas Gerais, construídos por edificações setecentistas. Valorizando a harmonia e simplicidade de suas ruas, com casas em sua maioria térreas, de um estilo simples, porém cuidadosamente elaborado. Uma de suas peculiaridades são as casas com número ímpar de janelas.

Toda a exuberância de suas ruas é apresentada pela combinação da natureza, simplicidade das casas e imponência de suas igrejas, formando assim um encaixe perfeito. Uma beleza serena, pacífica, gerando o sublime, preservando assim a história do Brasil do século XVIII.

Esta é a Matriz de Santo Antônio, que se distingue como um dos mais importantes exemplares de arquitetura religiosa colonial mineira. Apresentando fachada com risco de autoria do Aleijadinho, dentro dos padrões das grandes matrizes de Minas Gerais, manifesta em seu interior uma riquíssima ornamentação conferida não só pela talha da nave e da capela-mor, como também pelas diversas sacristias ricamente decoradas, além da excepcional composição do coro e belíssima decoração do órgão, considerado um exemplo único em Minas Gerais.

Um olhar mais filosófico da pequena Tiradentes e o seu estilo barroco

“Uma pessoa barroca é uma pessoa com pensamento não apenas racional. Vai além, vai no simbólico”, explica o pesquisador Percival Tirapeli.

O barroco é cultista, conceptista, complicado em si. É sempre o jogo de revelar e não revelar, o claro e o escuro. E tudo isso é visível na linda Tiradentes, onde o aconchego e o detalhismo imprimem uma ordenação, trazendo em si um olhar de pertencimento, de significância em si mesmo.

Olhando mais a fundo, vemos ali uma união dos pontos da vida, o passado e o presente, o homem e a natureza. A beleza da cidade torna-se uma experiência do dia a dia. Ela toca nas fibras da identidade humana. Ela nos lembra de valorizar mais o sagrado, com suas igrejas sendo o ponto mais sublime e central das caminhadas.

Esse pedaço lindo de chão também nos faz sentir parte, trazendo em si um afeto, com seus suaves cheiros emanados das chaminés das casas, na suave brisa ao amanhecer e ao entardecer soprados pelas matas que a cercam, na calmaria fumegada pelas chaminés da “maria fumaça”, dos cascos dos cavalos e o chacoalhar das carroças nas ruas de pedras.

Relembrando um tema barroco “Memento Mori, Carpe diem” em Tiradentes, percebemos que cada momento da vida deve ser desfrutado, pois ela é efêmera e o tempo, mesmo parecendo que passa mais suave pelas ruas da cidade, quando olhamos o relógio percebemos que ele passou rápido demais, diante de tanta fascinação.

Distância de Belo Horizonte: 190 km – cerca de 3h de viagem

Fotos: Letícia Barbosa