No livro “O guia do mochileiro das galáxias” de Douglas Adams, um supercomputador é incumbido de encontrar a resposta para “a pergunta fundamental sobre a vida, o universo e tudo mais”. Após 7,5 milhões de anos de processamento, a resposta obtida foi o número 42. O dilema, porém, é que de nada adiantaria conhecer esta resposta sem saber qual seria a pergunta que levava a ela. Este trecho da história se tornou muito popular, mas há ainda muito o que refletir acerca deste ícone da cultura pop. 

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Em um país com mais de 40 mil mortes por ano, saúde precarizada, esgotos a céu aberto e ruas esburacadas, a mídia acompanha com entusiasmo os embates acalorados nas redes sociais onde direita e esquerda se digladiam em torno do importante tema dos banheiros trans. O participante bem-intencionado do debate público brasileiro, seja ele de direita ou esquerda, tem pressa por descobrir as respostas certas, mas muito pouco se questiona se está discutindo a respeito das perguntas corretas. Assim como abordado na obra de Adams, mais importante do que as respostas são as perguntas. Pouco importa o quão voraz seja o ataque de Dom Quixote se ao invés de um gigante, ele se lança contra um moinho de vento. 

Um exemplo claro foi a manifestação do último domingo, dia 29 de junho de 2025, as falas dos que ali discursaram evidenciaram que na falta de um imaginário de construção de um futuro de país, a única pauta presente era a da luta inócua (e cínica) contra um sim, corrupto STF. A direita se afastou até mesmo das causas populares que a levaram à presidência da república há 7 anos atrás, ao invés disto, hoje se vê enfrentando seus próprios moinhos de vento, pensando estar lutando por liberdade quando na verdade está apenas defendendo os interesses personalíssimos de um líder fraco e já derrotado. 

O Brasil vive um momento delicado, um cerco que se fecha após anos de governos irresponsáveis e populistas subsequentes. Sair desta situação envolve fazer as perguntas certas. Na falta de um supercomputador que calcule uma pergunta única e fundamental, seguem 7 propostas de perguntas cujas respostas podem significar a vitória na luta por uma pátria que seja, realmente, uma mãe gentil aos filhos de seu solo. 

  1. Como combater a cultura patrimonialista brasileira? 
  2. Como enfrentar a hegemonia de uma elite política e econômica que governa o Brasil desde a redemocratização? 
  3. Como vencer os desafios econômicos causados por uma constituição engessada que torna este país ingovernável? 
  4. Como industrializar o país? 
  5. Como tornar o brasileiro mais produtivo? 
  6. Como declarar e vencer a guerra ao crime organizado com as amarras legais que possuímos hoje? 
  7. Como combater a cultura de favela e levar o estado a este território, recuperando e dando dignidade às pessoas que ali vivem? 

Hoje, apenas um restrito grupo de pessoas se propõe a pensar de forma séria nas questões que realmente importam. Se a resposta para a pergunta fundamental de Douglas Adams é 42, talvez a resposta para os brasileiros seja 14.