No dia 3 de outubro deste ano, faleceu o locutor e apresentador Cid Moreira, um dos maiores nomes do jornalismo brasileiro. Mas qual foi a relação entre Carlos Drummond de Andrade e Cid Moreira? No falecimento de Drummond, em 1987, Cid leu um poema em sua homenagem. Por isso, vamos contar a história desse grande poeta e escritor mineiro.

Carlos Drummond de Andrade nasceu no dia 31 de outubro de 1902, em Itabira do Mato Dentro, Minas Gerais. Ele foi o nono filho do casal Carlos de Paula Andrade e Julieta Augusta Drummond de Andrade.
Interessou-se por literatura desde cedo. Em 1916, ingressou no colégio em Belo Horizonte. Dois anos depois, foi estudar no internato jesuíta do Colégio Anchieta, em Nova Friburgo, Rio de Janeiro, onde estudou nos “Certames Literários”. Lá ficou por dois anos, até ser expulso em 1921 após uma discussão com uma professora de português.
Assim, ele retorna para Belo Horizonte e começa a publicar seus primeiros trabalhos no Diário de Minas, em 1921. Formou-se em Farmácia na Escola de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte, mas não exerceu a profissão.

Casou-se com Dolores Dutra de Morais, em 1925, com quem teve dois filhos: Carlos Filho (nascido em 1927, que viveu apenas meia hora) e Maria Julieta Drummond de Andrade, nascida em 1928.
Em 1930, foi publicado seu primeiro livro, Alguma Poesia. O seu primeiro poema conhecido, “No Meio do Caminho”, foi publicado em 1928 na Revista de Antropofagia, em São Paulo.
Drummond trabalhou por 35 anos como funcionário público, aposentando-se como chefe de seção do DPHAN. Ainda em vida, em 1982, recebeu o título de “Doutor Honoris Causa” pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Faleceu em 17 de agosto de 1987, aos 85 anos, no Rio de Janeiro, deixando um grande legado para a literatura brasileira. Sem dúvidas, é um dos maiores mineiros de todos os tempos.
Algumas de suas principais obras incluem:
O Gerente (1945)
A Mesa (1951)
Claro Enigma (1951)
Ciclo (1957)
Fala, Amendoeira (1957)
Lição de Coisas (1962)
A Rosa do Povo (1945)

O poema que Cid Moreira leu logo após a morte do escritor foi “E agora, José?” (1942), de autoria do próprio Drummond. Na época, Cid leu apenas a primeira estrofe, mas em homenagem a essas duas lendas, publicamos o poema completo a seguir:
E agora, José?
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, – e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais!
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Esperamos que novos gênios surjam e consigam revitalizar uma cultura tão vulgarizada como a nossa.
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