O Partido Novo, fundado em 2011, com a proposta de tornar as ações políticas mais eficientes e oferecendo um modelo partidário mais ético do que o padrão brasileiro susta, ao longo de seus primeiros anos de existência, passou por diversos altos e baixos, dadas as altas expectativas e baixa popularidade de suas principais lideranças nacionais. Sendo o último aspecto uma completa exceção para o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, reeleito em primeiro turno das disputas de 2022.

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Vitorioso em 2018, num contexto de anos de reprise da política nacional em território mineiro, em que PT e PSDB revezavam o poder no estado, Zema ganhou notoriedade nos últimos dias da disputa, sendo alvo de críticas, inclusive, dentro de seu partido, por buscar proximidade com as ideias de Jair Bolsonaro quando conveniente para projeção de seu nome, em um processo eleitoral que tinha  João Amoêdo, correligionário e membro fundador do NOVO, também candidato à Presidência da República.

Mostrando-se pouco ortodoxo quando conveniente, Zema tem  conseguido jogar para o lado que o beneficia ao longo dos últimos anos.  Desde a vitória em sua primeira disputa política e sustentando um nome maior no partido que o de João Amoêdo, ou mesmo do atual Presidente, Alfredo Adolfo Schnabel Fuentes, pelas beiradas, o governador mineiro não perde a oportunidade de se apresentar como uma opção melhor a Jair Bolsonaro, mesmo que de forma indireta. Exemplos não faltam.

Vale lembrar que, diante das incontáveis crises do governo do ex-presidente, Zema, que soube se aproximar do discurso e do público de Jair Bolsonaro quando necessário, tentou se colocar às margens de qualquer situação que o expusesse de forma inconveniente no contexto nacional, principalmente ao longo da pandemia. Além disso, ao conseguir  regularizar as contas do estado, que no início de seu mandato contava com déficit superior a 11 bilhões de reais deixado pelo ex-governador petista, Fernando Pimentel, efetuando pagando os funcionários públicos em dia, se aproximando do discurso conservador quando conveniente e se colocando como opção ao PT sempre que possível, o nome de Zema não demorou a ser bem visto como potencial candidato à Presidência da República. Inclusive, sendo cogitado nos bastidores como o melhor nome do NOVO para a disputa de 2022. Algo que sabiamente não foi levado à diante, garantindo a ele o marco de ser reeleito no primeiro turno das últimas eleições com 56,18% dos votos válidos.

Após garantir sua vitória, Zema que evitou se posicionar claramente no primeiro turno de 2022, diferente do que havia feito em 2018, sabendo que contava com o apreço da maior parte dos eleitores de Jair Bolsonaro e respeito entre muitos do segmento petista que conseguiam avaliar positivamente a administração do empresário, no Segundo Turno, ele, que não precisou de Bolsonaro para vencer, faz a movimentação de se aliar ao peelista para que o ex-presidiário candidato à Presidência da República pelo Partido dos Trabalhadores, Luiz Inácio Lula da Silva, não levasse a vitória da campanha presidencial.

Uma jogada de mestre para quem pode, no futuro, recorrer ao discurso de ter “feito sua parte”, mesmo sabendo que esse papel seria mais eficiente no Primeiro Turno. Zema deu aula de como garantir o seu antes de ajudar os outros.

O grande problema na trajetória política do governador de Minas Gerais é que, entre as críticas válidas a ele, não é errado dizer que Zema envelheceu rápido, no sentido de adaptar-se rapidamente à (velha) política brasileira. Do político que abria mão do salário ao que fez um dos maiores aumentos para os servidores ligados diretamente ao governo do estado (por mais justificável que fosse, o momento não era conveniente e o exemplo é o oposto ao que é pregado por seu partido), subir no caminhão na manifestação bolsonarista da Paulista no último domingo, evidencia para os mais atentos a repetição do movimento que é de seu costume fazer: se posicionar ao lado do interesse que julga popular quando lhe parece conveniente, mesmo que seja arriscado e não correto. Zema não é empresário. Zema é político!

Entretanto, a entrada de Deltan Dallagnol no partido NOVO em outubro de 2023 pode acabar causando problemas aos interesses de Zema, caso ele pretenda se lançar presidenciável em 2026, ainda que siga negando em entrevistas que esse é o seu interesse. O Lavajatista do Paraná, por mais que também tenha “subido no caminhão bolsonarista”, tem um histórico político de não conivência com a política que, quando interessa, Zema consegue dialogar, utilizar e dela se beneficiar.

Além disso, Dallagnol sofreu de fato o dano de se manter coerente e da exposição sem meias palavras de suas ideias, perdendo seu mandato de deputado federal em uma jogada que pode ser vista como mera perseguição política e vingança daqueles que, no combate ao crime, ajudou a punir. Somado a isso, o sulista ainda agrega o público religioso que não vê a fé como instrumento político, mas os homens de fé como ferramentas no processo de mudança social, tornando, assim, o mais recente filiado do NOVO mais capaz de desagregar o fanatismo religioso que se apresenta como o último batalhão em torno de Bolsonaro e daqueles que o cercam esperando receber as migalhas de votos que caem de sua mesa.

Se o NOVO vai se arriscar com chapa pura para 2026, uma dupla interessante pode estar se formando numa aliança sul-sudeste para o pleito futuro. Mas a possibilidade de Zema ser o cabeça da chapa e carregar o título de Presidente se torna cada vez menor com o aumento da popularidade do novo filiado lavajatista que parece ter menos interesse que Zema em flertar com o sistema que o eleitor antipetista tanto critica.

(São Paulo – SP, 30/05/2019) Entrevista ao Apresentador Danilo Gentili para o Programa The Noite do SBT, gravada dia 29 de maio..Foto: Alan Santos/PR

NOVO por novo, o MBL está com desafio de lançar o partido Missão e ter candidatura própria à Presidência da República com a possibilidade de ter o artista e empresário Danilo Gentili como nome da legenda.  E por mais que tenhamos uma série de interrogações nesse início de 2024 sobre o contexto para os próximos dois anos, um vento diferente sopra sobre os céus republicanos do Brasil, trazendo a possibilidade de uma disputa que garanta ao povo brasileiro ficar entre um mais ou menos e um bom, dois bons, ou entre o bom e o ótimo. Se isso acontecer, será o auge da realização do sonho de muita gente desperta que já está cansada de ter que ir pra urna votar nulo, ou tampar o nariz para escolher entre o ruim e o péssimo, também conhecido como “o menos pior”.

Fontes:

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/surpresa-na-eleicao-de-mg-zema-se-diz-anti-pt-e-aguarda-partido-sobre-apoio-a-bolsonaro.shtml

https://www.otempo.com.br/politica/divida-deixada-por-pimentel-seria-r-3-7-bilhoes-maior-1.2182142

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/surpresa-na-eleicao-de-mg-zema-se-diz-anti-pt-e-aguarda-partido-sobre-apoio-a-bolsonaro.shtml

https://www.otempo.com.br/politica/zema-nao-fala-em-ato-bolsonarista-e-tarcisio-representa-governadores-1.3337480

https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2023/01/19/interna_politica,1446717/kim-kataguiri-anuncia-danilo-gentili-como-candidato-a-presidencia-em-2026.shtml

https://www.cnnbrasil.com.br/politica/romeu-zema-e-reeleito-governador-de-mg-no-1o-turno-eleicoes-2022/