Diante do declínio da segurança pública brasileira, e com ainda mais força do que acontece no Rio, é hora de parar com meias-palavras. A operação do dia 28 de outubro mostrou que é possível avançar quando o Estado resolve agir. Mas precisamos ir além: queremos um Estado que recupere de fato os territórios onde hoje manda o crime.

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Não estou falando de discurso fraco nem de “controle social” vazio. Falo de soberania: nenhum pedaço do país pode viver, na prática, fora da lei. Quando comunidades inteiras ficam sob poder paralelo, a própria existência do Estado é questionada. Isso não é teoria; é o dia a dia de milhões de brasileiros, que hoje vivem submissos a um governo paralelo, que tem lei, tem tribunal e tem punições.

O que o brasileiro precisa entender é que portar fuzil e dominar território é muito grave, grave a ponto de não poder ser encarado apenas pela polícia local, mas pelo Exército. Se o Estado não domina, quem domina? Se o Estado não ocupa, quem ocupa o lugar? Enquanto muito se fala de golpe de Estado sem armas, estamos vendo de fato um ataque à soberania nacional com armas e muita organização, sendo tratado como algo de menor porte, subestimado pelo governo federal.

Por isso, qualquer proposta que se preze, no mínimo eficaz, deve incluir uma ação firme e legal das forças de segurança, justiça rápida e responsável, controle e transparência, políticas públicas nas áreas retomadas e combate à corrupção e à cumplicidade.

Não adianta romantizar soluções meramente teóricas, longe da realidade: resultados exigem profissionalismo policial, investigação, processo legal e políticas sociais. O caminho certo é firme, técnico e com freios institucionais, duro com criminosos, inabalável com a lei.

O Brasil precisa recuperar sua presença nas ruas e nas casas. Queremos um Estado que não negocie territórios, que não tolere facções e que garanta direitos e segurança para o cidadão. Se queremos isso, precisamos de projetos claros, coragem política e responsabilidade democrática, não de aplausos fáceis a regimes que ferem a própria noção de justiça que queremos construir.

Quem defende a ordem precisa ser mais do que retórico: tem que mostrar plano, resultado e respeito à lei. Só assim a paz se torna duradoura e não recomeça a vacilar a qualquer vento que sopre.

As coisas precisam ser chamadas pelo nome certo, e o que tem acontecido no Brasil é terrorismo e tomada de território pelo crime organizado. O Estado consegue e sabe conter isso, mas precisa apenas de um aval do comando federal.