Durante a história, as civilizações humanas sempre tenderam a valorizar o papel dos mais velhos. Estes eram responsáveis por repassar as tradições, sobretudo em sociedades de tradição oral, como no caso dos povos indígenas Baniwa, Kaiová e Xavante. Além disso, não faltam exemplos de conselhos de anciãos ao longo da história, tais como a Gerúsia espartana ou o Senado romano. Mesmo quando não havia, explicitamente, um papel de liderança reservado ao mais velho, sempre existiu no imaginário a figura do patriarca, que, com sua sabedoria acumulada ao longo dos anos, guiaria o mais jovem — cheio de energia, porém inexperiente.
No entanto, com o advento da internet, o mundo se transformou completamente. Esses mesmos anciãos já não ocupam a posição de guias, pois se tornaram eles próprios os mais perdidos. Enquanto os mais jovens se mostravam prontos para desbravar aquele novo universo de inovações tecnológicas, os mais velhos enfrentavam, a cada dia, um novo desafio diante da progressiva digitalização do mundo analógico ao qual estavam tão acostumados.

Com isso, toda uma geração se vê perdida em seu próprio tempo. Não se trata apenas da dificuldade de lidar com um aparelho celular, mas também de possuir uma imaginação que não acompanha as ideias em vigor no espírito do tempo atual. Em um mundo onde a informação transborda pelas redes, em constante metamorfose, o boomer brasileiro se divide entre os ideais de uma esquerda trabalhista com elementos varguistas, na figura de Lula, e uma direita saudosista da ditadura militar, na figura de Jair Bolsonaro — um imaginário com ideias remanescentes de um mundo pré-Muro de Berlim.
A geração millennial não se vê em situação muito mais favorável. Marcada por crises econômicas no que deveria ser seu melhor momento, viveu a transição para o mundo tecnológico e não necessariamente se adaptou tão bem a essa nova realidade. Além disso, teve seu espaço tomado pelos boomers, que, com o aumento da expectativa de vida, prolongaram sua permanência nas posições de protagonismo, dificultando a ascensão dos millennials.
Com um diagnóstico rápido, torna-se fácil inferir que nada de muito revolucionário virá de uma geração boomer obsoleta, tampouco de uma geração millennial ofuscada. A esperança recai sobre a profundamente hedonista, woke, viciada em dopamina, doente, porém pujante e cheia de novas ideias — a tão criticada geração Z.

Desenha-se, assim, um claro arco heroico: a mesma geração de que tanto se fala negativamente, seja nas rodas de conversa ou nas redes sociais, é também a mais adaptada e a que se encontra em situação mais favorável para promover uma reviravolta no complicado clímax que o Brasil e o mundo atravessam.
Resta saber se o zoomer cumprirá a missão e fará jus ao desfecho esperado desta história.
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