Era uma terça-feira qualquer, dessas que passam devagar no Congresso, como quem finge trabalhar muito e entrega pouco. Brasília tinha aquele céu de brigadeiro que engana o desavisado… Bonito por fora, mas fervendo por dentro. No plenário, entre cochilos e sorrisos ensaiados, ele subia à cadeira maior: Hugo Motta, o novo presidente da Câmara dos Deputados.

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Para quem acompanhou de perto os bastidores, a cena era quase cômica. Um deputado cuja carreira sempre flertou com a conveniência agora ditava o ritmo da Casa. E ele faz isso com uma calma que beira o deboche. A pauta é dele. O tempo é dele. E o Brasil… bom, o Brasil espera.

Hugo tem um talento raro: consegue parecer neutro enquanto acomoda os interesses mais fisiológicos da República. Seu gabinete virou ponto de peregrinação para quem precisa “resolver”. Liberar emenda, segurar CPI… Uma ligação rápida muda o curso do trabalho da Casa. A luz do dia é fraca para mostrar o descaramento e tudo com aquele jeitão de quem só está tentando “unir o país”. O mais curioso é que ele parece se orgulhar disso. Como se manter tudo como está fosse, de fato, uma conquista.

Mas a unidade que ele constrói é a do toma-lá-dá-cá. Nada de projeto estruturante, nada de reforma séria, nada de embate de ideias. Sob seu comando, a Câmara virou uma espécie de condomínio de interesses, onde cada liderança tem seu quinhão garantido. O importante é bater à porta certa e no tom certo. E adivinha quem tem a chave-mestra?

Os jornais aplaudem sua “habilidade de articulação”. Nas entrelinhas, é só mais um nome a manter a lógica viciada em funcionamento. É o mais do mesmo.

No fundo, Hugo Motta representa o tipo de política que estamos cansados de ver… Aquela que nada acresce ao país. Um sorrisinho ali, outro aqui, o que importa é proteger os mais chegados. Enquanto isso, do lado de fora, seguimos tentando mudar as placas dessa velha casa, achando que basta trocar o letreiro para mudar a essência.

Mas o Brasil precisa de reformas de verdade, de rupturas e não de gestores do atraso. A cadeira de presidente da Câmara não deveria ser um trono para a manutenção dos conchavos. Deveria ser o epicentro da coragem.

Infelizmente, com Hugo no comando, a Câmara virou uma casa grande com alma pequena. E o país, mais uma vez, é quem paga a conta cara do condomínio.