A esta altura é muito difícil que você não tenha sequer ouvido falar no lançamento do Prime Vídeo desse 31 de outubro de 2025. A série Tremembé que relata a rotina de criminosos conhecidos por suas condutas já é o maior sucesso da plataforma da Amazon em 2025 no Brasil. O contexto da série é narrar como foram vividos os dias dos criminosos que não saem dos pesadelos da população brasileira.

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Dada a devida proporção à parcela de liberdade narrativa da série, a conclusão que se chega é como o crime compensa no Brasil. O que deveria ser a rotina de pessoas a serem ressocializadas se mostrou na verdade ser um grande cruzeiro de férias, com direito à televisão, computador, visita íntima, lazer… itens que sequer parcela da população dita como livre possui.

Parte disso se deve ao próprio código de processo penal que cheira a mofo. Uma letra ultrapassada que trata a parcela mais perigosa da população com benefícios de quem recebe um bom salário. Ora, acredita-se ser pouco provável que a parcela mínima do nosso imposto de renda, qual seja de aproximadamente R$ 5.000,00, tenha tanto conforto e dignidade que os chamados “ressocializandos” representados na produção. É neste momento que surge o questionamento: para que servem os presídios?

Ora, como o nome já nos orienta, o ressocializando deveria receber um tratamento que o retire da margem da sociedade e o reinsira no contexto social. Entretanto, diante de tanta mordomia e fornicação, qual seria o ensinamento a ser passado? Até mesmo uma criança travessa que é colocada de castigo possui menos privilégios que a parcela carcerária da nossa população.

Se uma criança, que sequer possui o córtex pré-frontal bem formado, aprende na base da retirada de berneies, procura-se o motivo real pelo qual os presídios são tão benevolentes. A despeitos dos direitos humanos e da integridade do preso, temos a realidade de que a sociedade brasileira vive em clima de refém. Enquanto a maior parte dos retratados na série já se encontram em liberdade, o povo reside em casas que mais parecem presídios. Um cenário que se assemelha mais a uma piada de mau gosto sobre quem está do lado de dentro e quem está do lado de fora.

Urge a necessidade de reforma do ordenamento brasileiro para que o direito a integridade física não seja mera tinta no papel. Existem um verdadeiro binômio sobre quem deveria ser o menos favorecido em uma relação de ressocialização. Pois ao passo que o Estado se responsabiliza pela vida e integridade dos seus ressocializandos, ele se omite quanto aos seus administrados.

Ora ninguém está pregando a tortura do regime carcerário, mas com uma taxa de reincidência de 37% apenas no cenário de crimes violentos. Resta transparente que na verdade mais de 1/3 não é recuperado. O número é ainda mais assustador, pois cerca de 50% se tornam reincidentes antes dos seis meses da sua soltura. Precisamos admitir que algumas pessoas simplesmente não são recuperáveis.