Minas Gerais é, sem dúvida, um dos estados mais importantes da história do Brasil. Foi palco de revoltas, centro de governos, incubadora de ideias. Foi território do ouro, da república e, por muito tempo, de liderança.
Mas… o que houve?
No século XVIII, enquanto cidades como Recife e Salvador cresciam em torno de portos e rotas comerciais, as cidades mineiras se organizavam ao redor de igrejas, praças e instituições administrativas. Com a descoberta de jazidas em Sabará, Mariana e Ouro Preto, a Coroa Portuguesa deslocou o eixo político do Brasil. Lisboa passou a olhar para o interior e o Brasil, ainda colonial, começava a se reconhecer como nação.
Se o Brasil nasceu patrimonialista, como nos lembra Sérgio Buarque, Minas apresentou uma das primeiras tentativas de ruptura. A Inconfidência Mineira foi a tentativa de fundar um novo imaginário político. Inspirada pela Revolução Americana e pelas ideias de John Locke, a conspiração floresceu porque já havia aqui uma elite urbana, letrada e ambiciosa. Apesar do fracasso, os mineiros queriam reinventar o Brasil.
Anos depois, na Primeira República, Minas governava. A chamada política do café com leite, com todos os seus problemas, deu sobrevida institucional a um país arcaico e rural. O estado não pedia licença: tomava as rédeas do país.
Afonso Pena, Artur Bernardes, Venceslau Brás, João Pinheiro, Itamar Franco, Tiradentes, Tomás Antônio Gonzaga. Nomes que, à sua maneira, simbolizam um estado que produziu ideias e lideranças nacionais. Isso sem falar na força cultural: Aleijadinho, Guimarães Rosa, Drummond, Adélia Prado. Minas não foi “cautelosa”. Minas fundou modos de pensar o Brasil.
Hoje, Minas é o segundo estado mais populoso do Brasil. Tem o terceiro maior PIB. Está no coração geográfico e institucional do país. Tem enorme potencial industrial, agrícola e tecnológico.
Mas, politicamente, sumiu do mapa.
Os nomes mineiros com maior projeção nacional são, paradoxalmente, coadjuvantes de histórias que não foram escritas aqui. Não é sintomático que nossos dois políticos mais famosos da atualidade sejam pelegos de um carioca malandro?
Minas tem tudo. Só falta fazer.

A pergunta não é “por que Minas não aparece?”. A pergunta é: por que Minas aceitou ser plateia?
O estado tem densidade, universidades de qualidade, economia crescente, história e capital simbólico para liderar uma nova fase da política brasileira.
Minas não precisa escolher entre o messianismo caricato e a tecnocracia sem alma. Pode propor outra coisa.Um novo jeito de imaginar o país.
Porque já fez isso antes.
Como dizia Guimarães Rosa: “O que a vida quer da gente é coragem.”
Talvez dissesse isso justamente aos mineiros.
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