A reconfiguração partidária para o pleito de 2024 em Juiz de Fora é um pequeno laboratório de como a falta de compromisso com a política partidária é encarada no Brasil. Faltando seis meses para as eleições municipais, dos 19 vereadores, 10 trocaram de legenda, buscando viabilizar a reeleição dos mandatários de uma das legislaturas mais inexpressivas em representatividade, leniente para com as falhas do Executivo, e apática à dor dos cidadãos juiz-foranos das últimas décadas.

A cidade que, neste ano, elegerá 23 vereadores, assiste atônita o comportamento permissivo, quando não compactuante, dos parlamentares para com a gestão de Margarida Salomão (PT) que pouco parece ter compromisso com a transparência das informações sobre a gestão pública da cidade e muito se dedicou a aumentar a máquina pública, alocando seus aliados políticos na estrutura municipal, prejudicando o orçamento a ponto de custar ao pagador de impostos de JF o aumento de 13% das despesas da máquina em relação ao que era praticado.

Se o Brasil não é para amadores, Juiz de Fora parece a terra de formar os “profissionais do sistema”. A manobra de solicitar aumento expressivo do orçamento e, ao mesmo tempo, abrir espaço para mais quatro vereadores, mais pareceu estratégia da petista que deseja abrigar antigos aliados que não conseguiram se eleger em 2020, sem causar divergência com aqueles que hoje já ocupam o cargo de vereador na cidade, contribuindo para o que seus correligionários gostam de chamar de “harmonia” e “governabilidade”.

Entretanto, na terra de Margarida, nem tudo são flores. O maior desafio para os vereadores candidatos à reeleição e para os novos postulantes é se posicionarem adequadamente sobre o apoio que oferecerão aos candidatos ao executivo ao longo da corrida que, na Princesinha de Minas, já está a todo vapor. O cenário não é nada confortável para aqueles que, nos bastidores, reclamam da forma como Margarida conduz sua gestão e o trato nada respeitoso para com os representantes eleitos pelo povo para o legislativo. Enquanto esses torcem para que algum candidato se desponte como um potencial competidor e que entregue a liberdade de volta para Juiz de Fora e para esses parlamentares, os mesmos não ousam verbalizar e ajudar a promover um nome que possa chegar a tal posição.

Com cinco cadeiras a mais, Juiz de Fora tende a ser, mais uma vez, tubo de ensaio para o contexto político, apontando para um fortalecimento do legislativo, ou a verdadeira entrega da atribuição fiscalizatória para a lata do lixo. Afinal, a chegada de novos-velhos vereadores poderá representar um fortalecimento da Câmara para buscar exercer atividade fiscalizatória e de cobrança com mais qualidade e integridade, promovendo a união dos pares em pró da cidade, ou o que se terá será um massivo aparelhamento do sistema que, muito dificilmente, será rompido com eleições futuras e insatisfações corriqueiras do povo juiz-forano em ambientes não-políticos.

Por hora, entre trocas de partidos, de sorrisos e de amarguras reprimidas, as cartas já estão todas postas sobre a mesa. E todos que querem jogar precisam garantir sua cadeira. Aos que estão de fora, fica a responsabilidade de encontrar uma forma escalar caldas e pescoços de suas legendas para retornarem para suas posições. E, aos que já estão na cadeira, cabe se movimentarem de um lado para outro, sem correr o risco de perderem o lugar. E nessa dança toda, fica na responsabilidade do eleitor observar o comportamento de cada bailarino sobre o parceiro que apoiarão na disputa para a prefeitura da cidade para, ao final da música, em outubro desse ano, não ser ele a ouvir, mais uma vez, o dito “bobeou, dançou”. E se o aparelhamento se concretizar, só dançar não vai dar conta. O povo vai ter que pedir aulas para a Anitta e aprender a rebolar.

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Fontes:
https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2022/12/12/juiz-de-fora-tera-aumento-no-numero-de-vereadores-a-partir-de-2025.ghtml
https://tribunademinas.com.br/noticias/politica/09-04-2024/vereadores-partido-eleicoes.html#goog_rewarded
https://www.camarajf.mg.gov.br/www/noticias/exibir/13374/Camara-aprova-Lei-Orcamentaria-Anual-2024-com-previsao-de-arrecadacao-de-R35-bilhoes.html
https://tribunademinas.com.br/colunas/painel/30-10-2023/martvs-das-chagas-deixa-secretaria-de-planejamento-do-territorio-para-assumir-cargo-em-brasilia.html