Em tempos tão sombrios, em que o foco do debate está sendo a liberdade de expressão, nada mais oportuno do que falar sobre a maior revolta em favor da liberdade no país: a Inconfidência Mineira.

Primeiramente, vamos dar boas-vindas à reinauguração do blog do MBL-MG. Um espaço de análises, dicas e, claro, de história. De mineiro para mineiro, ajudando a preservar nossas tradições.
Para entender a Inconfidência, precisamos considerar seus antecedentes. No século XVIII, Minas Gerais era a capitania mais rica da colônia, justificado pela grande exploração do ouro. O conflito começa quando a Coroa Portuguesa percebe que a mineração poderia trazer grande arrecadação em tributos. Portugal, então sob o impacto de dificuldades econômicas após o terremoto de Lisboa de 1755, aumentou os tributos sobre a exploração de minérios.

A Inconfidência contava, em sua maioria, com participantes da elite econômica de Minas, com exceção do próprio Tiradentes, que era militar. A elite que participou do movimento era composta por pessoas de várias profissões, desde médicos até integrantes da igreja.
Devido aos altos tributos, a inspiração em ideias iluministas e à comprovação de que Minas Gerais poderia ser autossuficiente, a Inconfidência surge na década de 1780, tendo como um dos principais objetivos transformar Minas em uma república independente de Portugal. Nesse contexto, haveria eleições anuais, além de diversificação econômica. Não havia consenso sobre o fim da escravidão.
Quando foi decretada a derrama (um imposto obrigatório quando a meta de arrecadação não era atingida), os inconfidentes começaram a agir, iniciando suas atividades em Vila Rica (atual Ouro Preto). A alegação dos participantes era de que a derrama sobrecarregava um estado já cheio de impostos.

Porém, a operação não ocorreu devido ao “fogo amigo”. Joaquim Silvério dos Reis, que era fazendeiro e parte do movimento, denunciou os planos da Conjuração para as autoridades a fim de se livrar das dívidas que tinha com a Coroa. Em 18 de maio de 1789, alguns dos líderes da rebelião foram informados de que corriam perigo. Posteriormente, o Visconde de Barbacena, governador da capitania, suspendeu a derrama e começou a prender os integrantes da Inconfidência. Após 3 anos, as sentenças foram lidas, com penas variadas: desde o exílio na África até a pena de morte. Tiradentes recebeu a pena máxima e, com requintes de crueldade, foi esquartejado, decapitado e teve partes de seu corpo expostas em praça pública.
Apesar do fracasso em atingir seus objetivos, a Inconfidência Mineira se tornou sinônimo de resistência contra a tirania e o poder absoluto. O que se assemelha ao tempo de hoje, em que há censura e concentração de poder em poucos agentes em Brasília. Esperamos que o Brasil e os brasileiros possam acordar dessa anestesia que nos impede de reagir e questionar nossos governantes.
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