Capítulo 2 — Morte

Morri no dia 7 de setembro de 2025. Morte voluntária. Espontânea. Silenciosa.

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Suicidi@, como agora dizem, para incluir o masculino, o feminino e o fracasso geral.

Não foi com faca, nem com pólvora, nem com corda. Foi colapso interno.

Um colapso que começou nas entranhas e se espalhou lentamente — pelas artérias da economia, pelos pulmões das florestas, pelo sistema nervoso da educação, até alcançar o coração da identidade.

Na certidão de óbito consta:

Causa mortis: autofagia institucional com agravante de melancolia histórica crônica.

Houve enterro, sim.

Mas sem flores.

Sem prantos.

As bandeiras foram hasteadas a meio mastro, mas quase ninguém percebeu — estavam ocupados discutindo no X (antigo Twitter) se minha morte era real ou fake news.

Apenas um velho poema foi encontrado no bolso do cadáver:

“Aqui jaz um país sem causa, Que nasceu para ser gigante, Mas tropeçou em si mesmo

E morreu de overdose de esperança.”

Antes do último suspiro, ouvi em mim um eco longínquo — versos que nunca escrevi, mas que me pertencem como epitáfio:

“Tu dormes sobre o seio da desgraça

Como um náufrago sobre o mar das dores, E eu venho, qual visagem solitária,

Cobrir-te de saudades e de flores…”

— Fagundes Varela, “Cântico do Calvário”

E então, com um suspiro final, que cheirava a café requentado, suor operário e perfume importado de Brasília,

deitei-me, enfim, em berço esplêndido.

Morro, como vivi:

Dividido, exausto e ligeiramente tropical.

Mas deixo registrado que, se houver reencarnação, quero voltar em modo oine. Talvez como república, talvez como república das bananas, mas, por ora, fico por aqui.