Em 2014, o então porta-voz do governo de Israel classificou o Brasil como um “anão diplomático” após o país criticar ações israelenses em Gaza. À época, a declaração gerou uma onda de indignação nacional. Hoje, após mais de uma década, o mais recente posicionamento do Brasil diante do conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas infelizmente dá razão, ainda que involuntariamente, àquela declaração.

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Diante de mais uma série de ataques bárbaros do Hamas, com sequestros, assassinatos de civis e uso de escudos humanos, o governo brasileiro decidiu adotar a já tradicional “neutralidade militante”: aquela em que se condena genericamente “todos os lados” e evita cuidadosamente chamar terroristas de terroristas. Pior ainda, em certos momentos, o discurso oficial chega a sugerir que o verdadeiro problema seria a “resposta desproporcional” de Israel, ignorando o contexto e os crimes de guerra cometidos por um grupo fundamentalista.

Ao assumir uma cadeira rotativa no Conselho de Segurança da ONU, o Brasil teve a chance de demonstrar maturidade diplomática e liderança internacional. Em vez disso, preferiu discursos mornos, propostas simbólicas e um silêncio gritante sobre os atos do Hamas. Mais uma vez, perdeu-se a chance de estar do lado certo da história.

O governo brasileiro, liderado por um presidente que já demonstrou simpatia por ditaduras e repulsa a democracias liberais, parece mais interessado em preservar alianças ideológicas com regimes autoritários do que em defender princípios básicos como a liberdade, a segurança dos civis e o combate ao terrorismo. A política externa virou extensão da política partidária, regida por um antiamericanismo retrô e por uma visão maniqueísta de mundo onde Israel é sempre o vilão e qualquer inimigo do Ocidente merece simpatia.

O resultado é trágico: um Brasil irrelevante, incoerente e, mais uma vez, infantilizado no cenário global. Parece que o “anão diplomático” de 2014 não apenas não cresceu, como fez questão de se curvar diante de regimes que pisam nos direitos que fingimos defender.

Enquanto países sérios assumem posições firmes em defesa da civilização contra o terrorismo, o Brasil opta por ficar em cima do muro, ou pior, pelo lado errado dele. E, mesmo assim, ainda quer ser levados a sério como liderança internacional?