Já era esperado que Lula fizesse mais do mesmo no que tange assuntos diplomáticos, mas as atitudes recentes do petista aprofundam o apequenamento que o Brasil tomou para si diante da comunidade internacional. Contudo, o que afinal esperávamos de Lula?

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Ora, o aparelhamento da diplomacia brasileira para o resgate e financiamento de ditaduras de esquerda já era prática conhecida e reconhecida do velho Partido dos Trabalhadores e de Lula, que havia governado o país de 2003 até o dia 1º de janeiro de 2011. Porém, o que tem se levantado hoje, a partir do modus operandi político-internacional petista é, no mínimo, um exagero de mal gosto do pior que se esperaria desde as eleições.

O Itamaraty já foi colocado para servir um metrô a Caracas, um porto a Cuba, dinheiro a ditadores, etc. mas a política externa brasileira, principalmente na figura do presidente da república, jamais tinha sido posta a serviço de terroristas radicais islâmicos, discursos — e ações — flagrantemente dadas ao antissemitismo e guerras de expansão e anexação de outros países.

Realmente, desde da ascensão de Lula aos “céus duvidosos do poder em Brasília”, a estratégia geopolítica do nosso país — ou melhor, a falta dela — foi dada de bandeja aos interesses apocalípticos das mais sanguinárias personalidades mundiais e seus capachos menores. Não menos, o papel do Brasil enquanto anão diplomático — papel o qual o bolsonarismo também contribuiu com brilhantismo na consolidação dessa deplorável imagem — foi abraçado por Lula e beijado a todos os instantes. O desastre é tão grande que até mesmo a cadeira da presidência do Brasil chegou a balançar recentemente[1] — e ainda não parou —, mostrando que o risco de Lula cair dela tem se tornado cada vez maior, mesmo que ainda aparentemente pequeno.

Inobstante, a esquerda brasileira permanece soerguendo as loucuras de seu comandante-mor. Boulos (PSOL), que será o candidato apoiado pelo PT para a prefeitura de São Paulo, não pôde contrariar as palavras absurdas de seu mestre, o Molusco, e se atreveu a dizer: “não sou candidato a prefeito de Tel-Aviv.” De fato, quando interessa à esquerda o silêncio, ela permanece calada mesmo diante do ridículo, indefensável, grotesco e, pior de tudo, dos perigos que se levantam contra a estabilidade e sobrevivência do Estado de Direito.

Fonte: Retirado de GZH

Contudo, o que havia sido dito por Lula, que causou embaraços a Boulos? Ora, em viagem oficial para o Egito, o presidente do Brasil comentou sobre os acontecimentos mais recentes em Gaza e em Israel, que dão prosseguimento à crise que se instaurou depois dos atentados do Hamas — organização terrorista que fora apoiada pelo PT e comemorou a vitória de Lula em 22 — contra Israel, no fatídico 7 de outubro de 2023. Nas idas e vindas cada vez mais alucinantes de Lula, o ex-presidiário afirmou que aquilo que Israel faz com a população de Gaza é comparável com o genocídio que os judeus sofreram na Segunda Guerra Mundial, o Holocausto. Dessa forma, Lula acusa Israel de repetir a maior atrocidade já vista na Era Moderna, ignorando de forma perversa — e proposital — o fato de que foi o povo judeu que mais sofreu com o Holocausto.

A resposta foi imediata. A comparação absurda deu a Lula toda a fúria diplomática de Israel, enquanto agravou a situação do Brasil diante das principais democracias mundiais. A fala de Lula representa mais uma vez o reaparecimento do antissemitismo sobre o mundo e enoja qualquer pessoa que, além de conhecer a história do Holocausto, sabe o quão marcante foi o morticínio judeu para Israel. Além disso, Lula ainda reafirma o compromisso de seu governo com o que há de mais bestial no cenário internacional global, pois se de um lado Lula “repreendeu” o que fora feito pelo Hamas, também lançou brechas para que se limite a capacidade israelense em responder os atentados de 7 de outubro e garantir a segurança do povo judeu em Israel.

Afinal, não é sem críticas que a sociedade civil israelense e seus representantes se lançam à resposta contra o Hamas através das Forças de Defesa de Israel. Israel é uma democracia, e sua busca em reafirmar o direito internacional e os direitos humanos é notória, entretanto é da natureza da guerra contemporânea e urbana o envolvimento de civis inocentes — especialmente quando eles são sequestrados e usados como escudos para terroristas, tal como faz o Hamas com a população civil de Gaza. Nesse sentido, qualquer comparação com o Holocausto é não apenas desproporcional ou perversa, mas também absurda, injusta, tresloucada e — ouso dizer — demoníaca.

As operações israelenses que buscam caçar os terroristas responsáveis pelo 7 de outubro são revestidas de camadas de proteção a inocentes, mas nenhum sistema é perfeito, e o perímetro urbano das cidades de Gaza permanece obstruído por terroristas do Hamas que impedem que a população de Gaza se refugie em locais seguros. O objetivo dos terroristas é enclausurar a população civil nas cidades atacadas por Israel, a fim de aumentar a taxa de civis mortos e retardar a capacidade de resposta das forças judias. Não por acidente, os quartéis do Hamas se localizam, na imensa maioria das vezes, em canais subterrâneos abaixo de zonas residenciais, atrás de escolas, hospitais e instituições da autoridade Palestina. Assim, qualquer tentativa de destruição de quartéis dos terroristas se torna um risco às edificações civis circundantes. Contudo, não é uma alternativa para Israel não revidar os ataques perpetrados pelo Hamas, pois o terror prossegue, ainda existem reféns israelenses — e estrangeiros — em Gaza e os autores dos massacres juram ataques futuros contra a única democracia viva em solo do Oriente Médio.

Como se não bastasse os demônios saídos da boca do ocupante da cadeia da presidência, que ousam chamar de nazistas as vítimas do Holocausto e, além disso, passar pano para terroristas, a diplomacia brasileira segue caminhos tortuosos também em outros assuntos. Quando a “democracia relativa” venezuelana, ou seja: a megalomania autoritária de Chávez, ensaiou e declarou suas pérfidas intenções de invadir — absolutamente do nada — a Guiana, esse país veio pedir socorro ao Brasil. A resposta da (des)governança brasileira foi um completo silêncio diplomático, que abriu alas para que as ameaças bolivarianas continuassem. Ou seja: quando os ventos da guerra sopraram e bateram às portas da América do Sul, Lula assobiou um silêncio sádico, não ousando levantar um senão contra as loucuras de seu amigo ditador venezuelano, Nicolás Maduro.

No que concerne a Ucrânia, o Brasil se põe — também nos silêncios e nas palavras entrecortadas — ao lado da Rússia putinista. Hoje, o Brasil alimenta a máquina de guerra russa ao não intervir sobre nossas importações de diesel russo, de modo que a maior democracia do “Sul Global”, como Lula ama falar, simplesmente continua a patrocinar a guerra de um ditador contra uma democracia europeia, enquanto estupidamente diz ser a favor de uma paz de boteco. Em tudo o que é matéria global, Lula insiste em tornar o Brasil mais que anão diplomático, mas em um bobo da corte miniaturizado.

Quanto à China, a presidência também inaugurou novos gracejos, movendo-se cada vez mais em apoio a uma futura intervenção militar — leia-se: guerra — chinesa contra Taiwan. Ademais, os elogios que Lula teceu ao mercado continente africano não condizem com o papel do Brasil em suas relações com a Chinas, pois é afinal a ditadura chinesa que tem exercido forte pressão econômica sobre países africanos atualmente. Os investimentos de empresas estatais chinesas sobre a África são cercados por acordos e contratos secretos, que estão sendo vazados gradualmente e que indicam que a China tem se utilizado de juros absurdos e clausulas abstratas para causar o endividamento de pequenas nações africanas, comprometendo a independência desses países e suas infraestruturas e — no futuro, quem sabe — impedindo a expansão do mercado brasileiro sobre o continente.

Com tudo isso, há quem diga que o governo Lula tem se esforçado para realçar a independência do Brasil em termos diplomáticos, afastando o nosso país do bloco Ocidental e pondo-o nos termos de uma Nova Ordem Mundial. Contudo, bom seria que o governo brasileiro obtivesse algum plano de fato ao Brasil, tornando-o aberto a todas as frentes internacionais, maleável e neutro em situações de crise internacional. Por hora, a realidade é outra: o petismo tem sacrificado a política de não-alinhamento do Brasil e posto nosso país em rota de colisão com todas as democracias sérias do mundo. Hoje, o Brasil é parceiro de ditaduras, doador de elogios e condolências a organizações terroristas, patrocinador de guerras, anão-palhaço-diplomático, antissemita e dependente da China.

Longe de inaugurar uma terceira via, Lula fez com que o Brasil se tornasse um camponês que alimenta os cavaleiros do Apocalipse com suas próprias forças. Se colocando do lado da Rússia de Putin, por exemplo, por meio de malabarismos retóricos que tentam igualar agressor e agredido, o Brasil mostra que não tem compromisso algum com a vida humana, com os direitos humanos, com a liberdade e muito menos, acima de tudo, com aquela tal democracia nossa que o PT disse ter salvado em 2022.

Fontes:
[1] Um pedido de impeachment contra Lula foi aberto, e hoje (22/02/2024) consta com mais de 120 assinaturas na Câmara, ou seja: mais assinaturas do que quando Dilma sofreu o seu impeachment.
Imagem 1: https://reinaldoazevedo.blogosfera.uol.com.br/2019/08/07/lava-jato-usa-prisao-de-lula-para-excitar-bolsonaristas-e-para-testar-o-stf/
Imagem 2: https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao/noticia/2024/02/gilmar-fraga-a-diplomacia-brasileira-clstm3ihh00du017yv230s0s6.html