É interessante observar como milhões de pessoas se silenciaram diante da “onda bolsonarista midiática” que se apresentou com força e aparente hegemonia nas redes sociais e na internet na última eleição. Muitos lulistas, ao se sentirem minoria, permaneceram em silêncio.
Nesse cenário, em que a ideologia ganha força e constrange as pessoas a se manifestarem com sinceridade, surgem riscos sérios à democracia. Ninguém quer passar vergonha pública ao ser associado a um partido corrupto ou a um político que tem sido alvo de “cancelamentos online” em massa. A primeira reação é silenciar-se, não se arriscar, não se manifestar. Com o advento da internet e a atuação massiva, um certo político pode dominar o imaginário nacional e, quando aqueles que se calaram revelam outro cenário nas urnas, a outra metade aponta golpe ou declara sérias divergências no sistema eleitoral. Se as instituições não forem fortes, a democracia entra em declínio.

Essa espiral do silêncio foi um fenômeno que se revelou com os resultados das urnas e pregou uma peça em muitos que acreditavam entender o cenário político. Quando a sensação era de que Bolsonaro era maioria, vimos um resultado diferente nas urnas, com uma votação expressiva em Lula. Esse fenômeno de silenciar-se por constrangimento, devido à sensação de ser minoria, camufla muitos cenários.
Algo que chama a atenção e que podemos começar a observar é que, novamente, uma nova espiral do silêncio parece estar surgindo. Agora, porém, não entre lulistas ou bolsonaristas, mas entre milhões que não se identificam com nenhum dos dois. Pessoas que estão começando a aprender mais sobre como funciona a política, por meio de indivíduos que se dedicam a ensiná-la.
O silêncio pode ter duas causas: o constrangimento de se sentir minoria, como já foi dito, ou a covardia. Ambas alteram cenários. O problema é que muitos que deveriam estar falando, incentivando os calados a se manifestar, têm se furtado dessa missão.

A educação política é o caminho pelo qual milhares de pessoas começam a perceber que o populismo e as atitudes corporativistas jamais tirarão o Brasil do buraco em que se encontra. É por meio do conhecimento que muitas políticas públicas efetivas poderão nascer e conduzir o Brasil a um caminho de prosperidade.
É preciso ter planejamento, propósito e objetivos de longo prazo para mudar nosso país e isso entra em confronto direto com populistas como Lula e Bolsonaro. O Brasil precisa de uma política séria, inteligente e corajosa.
O Brasil precisa de cidadãos que, embora hoje talvez estejam em silêncio por se sentirem fora das bolhas lulistas e bolsonaristas, já entenderam o cenário e sabem que não podem negligenciar a missão de transformar o nosso futuro.
Em qual cenário você está?
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