A política, em sua essência, exige mais do que a administração burocrática de recursos e a gestão contábil. Platão, quatro séculos antes de Cristo, já apontava que, para um Estado, eram necessários: prudência, coragem, moderação e justiça. O erro que cometemos no Brasil, talvez pela sucessão de más experiências no Executivo, é esquecer isso e acreditar que bons gestores bastam.
Contudo, a política exige mais do que isso. Exige visão. Exige coragem. Exige estadistas, e não apenas governadores eficientes.

A história não consagra medianos. Winston Churchill manteve firme a Inglaterra quando todos já haviam se rendido ao terror nazista; De Gaulle enfrentou o colapso francês e refundou sua República. Esses homens são lembrados não pela cautela, mas porque ousaram quando a covardia era mais cômoda.
Romeu Zema, ao contrário, parece não ter entendido o desafio histórico que Minas e o Brasil enfrentam. Herdou um Estado quebrado, é verdade. Hoje, a dívida com a União é superior a R$ 170 bilhões. Sua condução, neste caso, é o resumo do que o define como político: aderiu ao Regime de Recuperação Fiscal, alongou prazos, empurrou o problema. Agora, concentra esforços em migrar para o PROPAG. Faltou mais. Faltou liderar a ruptura necessária.
Na área econômica, faltou ainda articulação (ou seria novamente coragem?) para avançar com privatizações robustas, enfrentar corporações, lobbies, sindicatos e romper a dependência estrutural de Minas com a União.
No saneamento básico, o exemplo é emblemático: Minas Gerais investe apenas R$ 99,84 por habitante/ano, 21% abaixo da média nacional (R$ 126,97) e menos da metade do que seria necessário para universalizar o acesso até 2033 (R$ 223,82 por habitante/ano, segundo o PLANSAB). O resultado é que milhões de mineiros ainda vivem sem esgoto tratado, em pleno século XXI.
É o retrato mais claro da ausência de grandeza política: o governador que está com a cabeça no Planalto esqueceu-se de limpar a lama sob seus pés.
Desde 2021, Zema gastou mais energia em cortejar a família Bolsonaro do que em construir um projeto de país. Apesar de fazer o possível para ter o seu espaço, o mineiro parece gozar de pouco ou nenhum prestígio junto ao alto clero do bolsonarismo. Não faltam exemplos de situações vexatórias que demonstram isso.
O exemplo mais recente foi o recado dado por Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro e filho do ex-presidente, na rede social X, no dia 17 de agosto de 2025:
“A verdade é dura: todos vocês se comportam como ratos, sacrificam o povo pelo poder e não são em nada diferentes dos petistas que dizem combater. Limitam-se a gritar ‘fora PT’, mas não entregam liderança, não representam o coração do povo. Querem apenas herdar o espólio de Bolsonaro, encostando nele de forma vergonhosa e patética.”
A resposta de Zema? “Temos que dar desconto pelo momento difícil.”
Enquanto isso, o crime organizado se infiltra em cada esquina do país, dominando territórios urbanos e rurais. Um mapeamento do governo federal, em 2024, identificou 13 facções criminosas atuando nos presídios mineiros. Nenhuma delas, porém, é de origem local. Minas, assim como o Brasil, precisa de líderes que compreendam que não basta administrar o presente: é preciso refundar o futuro.
Romeu Zema, porém, escolheu outro caminho. Parece optar pela comodidade do centrão, barganhando cargos e alianças para manter sua governabilidade. Torna-se, assim, mais um político comum, condenado à mediocridade. Não é um desastre como os governos petistas, mas tampouco é um projeto de nação. É bem comparável, inclusive, às gestões do PSDB em São Paulo.

O Brasil caminha para um colapso até 2030. A dívida pública explode, o saneamento não avança, o crime organizado cresce como Estado paralelo, e a população se acostuma com a precariedade. É preciso mais do que fórmulas prontas de Excel. É preciso homens que encarnem as virtudes clássicas e compreendam seu papel histórico.
Romeu Zema não é esse homem.
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